Seqüestro em ministério iraquiano revela rachas no governo

O ministro do Ensino Superior do Iraque, Abed Theyab, disse nesta quinta-feira que cerca de 80 reféns do seqüestro realizado com funcionários e visitantes de um prédio da pasta na terça-feira permanecem cativos. A informação diverge das passadas pelo governo do Iraque, que na quarta-feira havia dito que "a maioria" dos cativos foram soltos. Segundo o Theyab, cerca de 70 dos 150 seqüestrados foram libertados. Ainda de acordo com ele, os reféns teriam sido "torturados e sofrido muito". Outros funcionários do ministério disseram que diversos reféns teriam sido mortos. Na terça-feira, atiradores vestidos em uniformes camuflados geralmente utilizados por policiais iraquianos invadiram o Ministério do Ensino Superior em Karradah, uma área xiita no centro de Bagdá, e levaram dezenas de pessoas em cerca de 20 caminhonetes. Em decorrência dos acontecimentos, o ministro Theyab - que é sunita - licenciou-se temporariamente do cargo. Em um pronunciamento televisionado, ele disse que sua decisão não teve motivações políticas. Ainda assim, Theyab não poupou críticas às forças de segurança iraquianas. "Aqueles no comando da segurança deveriam ser responsáveis pela segurança", ironizou, referindo-se ao Ministério do Interior, que administra a polícia e as agências de segurança iraquianas. A pasta é chefiada por um xiita. Ele classificou a disseminação de seqüestros e assassinatos de pessoas como estudantes e professores em Bagdá e outras cidades do Iraque como "uma farsa". Tortura Mais cedo, Basil al-Khatib, porta-voz do Ministério de Ensino Superior do Iraque, disse que alguns reféns libertados depois do seqüestro em massa, ocorrido na terça-feira, fizeram relatos sobre tortura e assassinato às autoridades iraquianas. "Diversos reféns foram torturados e mortos, disseram testemunhas que foram capturadas e mais tarde libertadas pelos seqüestradores", disse Khatib em conversa por telefone com a Associated Press. Entretanto, ele disse desconhecer ao certo quantos reféns foram torturados e mortos. Acredita-se que um total de 150 pessoas tenham sido seqüestradas no ataque ao ministério, mas o governo iraquiano afirma que apenas entre 40 e 50 foram capturadas. Mostrando as divergências internas do governo Iraquiano, o assessor de Segurança Nacional, Mouwafak al-Rubaie, divulgou uma nota que contradiz Theyab e afirma que apenas 50 pessoas foram seqüestradas. Ainda segundo a declaração, todos os reféns teriam sido soltos e ninguém morreu.

Agencia Estado,

16 Novembro 2006 | 14h20

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