Seqüestro na Embaixada do Japão em Lima faz 10 anos

Embaixada do Japão em Lima, 17 de dezembro de 1996. O que era para ser a comemoração do 63º aniversário do imperador Akihito acabou se transformando na mais longa e tensa festa da América Latina. Quando 600 diplomatas, políticos, militares e importantes executivos se reuniam no jardim, 14 guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru invadiram a embaixada e tomaram todos como reféns. Um dos convidados se prontificou para ser mediador entre os rebeldes e o governo peruano. Era o suíço Michel Minnig, então diretor da Cruz Vermelha no país. Em visita a São Paulo, ele conversou com o Estado e lembrou os 10 anos do seqüestro, que só acabou quatro meses depois, com a invasão da polícia peruana e 17 mortos: um refém, dois policiais e todos os guerrilheiros. Qual o momento mais difícil que o sr. enfrentou durante o seqüestro? Houve momentos tensos durante as negociações, era um risco constante para os convidados. Mas o desfecho foi a parte mais difícil. O desfecho foi satisfatório? Por um lado, foi um alívio ver a grande maioria dos reféns viva. Mas foi triste porque não houve uma solução pacífica.Há acusações de que as forças peruanas executaram os guerrilheiros. O que o sr. sabe a respeito?Não posso confirmar nem negar. Mas entramos em contato com governo para pressioná-lo a investigar as acusações.Como era sua relação com os integrantes do Tupac Amaru?Tive um contato contínuo, mas meu papel era de facilitador de diálogo entre as partes, não entrava no mérito político. A presença da imprensa ajudou?Três mil jornalistas chegaram a acompanhar o caso. Não era nada fácil. Lembro de um jornalista japonês que ficava colado em mim 24 horas por dia. Mas a imprensa ajudou a divulgar os direitos humanos e o debate sobre uma saída pacífica. Depois do seqüestro, o sr. continuou em Lima?Só mais um mês. Apareci muito na mídia e minha presença lá ficou complicada. Nosso trabalho não pode ser o de uma estrela. Era emocionante, mas incompatível com meu trabalho.

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