Sequestros por coiotes são comuns, diz brasileiro

Em muitos casos, imigrantes ilegais são sequestrados pelos próprios coiotes (traficantes de pessoas) que contratam para ajudálos a atravessar a fronteira entre o México e os Estados Unidos, segundo relata ao Estado Fausto da Rocha, co-fundador do Centro do Imigrante Brasileiro em Boston.

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

De acordo com ele, os coiotes estão cobrando entre US$ 12 mil e US$ 16 mil para levar os imigrantes do México para o território americano - através do Rio Grande e e áreas desérticas.

Mas, uma vez próximos da fronteira, eles exigem mais US$ 2 mil ou US$ 5 mil para libertar o imigrante. "No mês passado, a filha de um amigo ficou presa uma semana em um cativeiro, depois que os coiotes exigiram mais dinheiro", conta Rocha, que tem um programa de rádio em Framingham, região de grande concentração de imigrantes ilegais brasileiros, chamados de "indocumentados".

"Eles mantêm os imigrantes em cativeiro, e se a família não manda mais dinheiro, eles matam."

Números extra-oficiais indicam que a comunidade de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos, que se identificam a eles mesmos como "brazucas", chega a 1,2 milhão. Destes, apenas 20% estão em situação legal no país, ou seja, têm green card - o documento de permanência - ou visto de trabalho.

Nos últimos meses, o número de imigrantes ilegais que se avneturam a atravessar a fronteira caiu muito por causa da crise econômica nos Estados Unidos.

E, depois que o México passou a exigir visto, muitos passaram a entrar pela Guatemala, país que não exige visto de turista para brasileiros.

Segundo Rocha, eles voam até a Guatemala e, de lá, vão de carro para o México.

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