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Gilles Lapouge
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Será o fim do palhaço?

É o fim? Conseguirá ele retornar, este palhaço tragicômico que se contorce no palco italiano há 20 anos? Seu rosto emplastrado de cremes e unguentos será depositado no armário do teatro onde são guardados os trajes e as máscaras de antigas glórias? Podemos dizer que, com sua exclusão do Senado, Silvio Berlusconi vive seu "último ato". O velho sedutor, o velho louco, está com 77 anos.

GILLES LAPOUGE, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2013 | 02h03

Indiciado em inúmeros processos (41 durante toda a sua vida pública), foi definitivamente condenado em 1.º de agosto por fraude fiscal. Outros processos o aguardam, entre eles o chamado Rubygate, no qual já foi sentenciado a 7 anos de prisão por prostituição de menores, sentença da qual recorreu. Sim, tudo indica que o crepúsculo cobre o rosto pálido de Berlusconi, mas esse homem é um demônio e os demônios renascem das cinzas.

É bom lembrar: ele era considerado politicamente morto em 2012, mas nas eleições de fevereiro de 2013 sua coalizão conquistou 30% dos votos. O instrumento que permitiu a ele assumir o papel do protagonista foi o seu partido. No dia 16, uma cisão o estraçalhou.

Uma parte abandonou Berlusconi para formar a NCD (Nova Centro-Direita). Outros senadores continuam fiéis a Berlusconi. Reagrupados no Forza Italia, agremiação que anteriormente levou Berlusconi ao poder, ressuscitaram-no alguns dias atrás.

Fazendo um balanço dos anos Berlusconi, é preciso reconhecer que eles foram ricos de emoção, rancor, ranger de dentes e espetáculo, mas pobres em termos de progresso. Ele prometeu realizar uma revolução liberal (tornar a economia competitiva, acabar com a burocracia). Ora, realizou de fato algumas reformas (construção de diques móveis em Veneza, flexibilizou o mercado de trabalho e liberou o mercado de energia), mas nenhuma foi de grande envergadura. As engrenagens da máquina judiciária continuarão girando em torno do velho político. Em 11 de fevereiro, ele deve responder num processo de corrupção de um senador. Mas onde estará ele? Um jornal italiano informou que a Rússia poderá lhe fornecer um passaporte diplomático. Interrogado a respeito, Berlusconi cobriu de elogios seu velho amigo Vladimir Putin. Mas jurou que jamais partirá para o exílio. "Sou 100% italiano", afirmou.

Ele permanecerá na Itália. E não irá à prisão em razão da idade. Mas terá de executar "trabalhos comunitários". Nos últimos dias um rumor tomou conta de Roma: poderia ser atribuída a ele a pena de limpeza dos "banheiros públicos" da Estação Ferroviária de Roma e, se cumprir isso dignamente, seus 12 meses de trabalho à comunidade seriam convertidos em apenas 9. Claro que a notícia é falsa. Mas a Justiça poderá determinar que ele trabalhe num dos centros de tratamento de viciados. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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