James Hill/The New York Times - arquivo
James Hill/The New York Times - arquivo

Serial killer do Zodíaco não foi identificado por grupo investigativo amador, diz polícia

Autodenominado 'The Case Breakers', grupo formado por mais de 40 pessoas diz fundamentar teoria em "vários fatores", incluindo semelhanças entre uma foto de seu suspeito e um desenho policial de 1969

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2021 | 08h59
Atualizado 07 de outubro de 2021 | 10h34

A última entre as centenas de teorias sobre o Assassino do Zodíaco, o serial killer que matou pelo menos cinco pessoas no norte da Califórnia entre 1968 e 1969, surgiu nesta quarta-feira, 6. Um grupo de investigadores amadores que se autodenomina "The Case Breakers" diz ter descoberto a identidade do assassino, que por décadas provocou investigadores profissionais e amadores por suas cartas cifradas enviadas a jornais.

Segundo a equipe independente, o homem se chama Gary Francis Poste, e faleceu em 2018. O FBI e os departamentos de polícia de três cidades que investigam o caso negaram que a identidade do Assassino do Zodíaco tenha sido desvendada.

O grupo, que seria formado por mais de 40 pessoas, entre jornalistas, policiais e agentes aposentados do FBI, disse ter fundamentado sua teoria em "vários fatores", incluindo uma semelhança entre as fotos de seu suspeito e um desenho policial do Zodíaco de 1969 - em particular, naquilo que parecem ser cicatrizes idênticas às da testa de Poste -, e em anagramas enviados pelo serial killer que revelam seu nome. Eles também dizem ter provas de que o suspeito matou mais pessoas, incluindo Cheri Jo Bates, de 18 anos, em 31 de outubro de 1966, em Riverside, Califórnia.

Cinco mortes estão oficialmente relacionadas ao Assassino do Zodíaco, mas acredita-se que o número total possa chegar a 28 — a primeira vítima foi o motorista de táxi Paul Stine, morto em São Francisco, em 1968. Até hoje, o único homem citado como suspeito pela polícia foi Arthur Leigh Allen, de Vallejo, que morreu em 1992.

FBI diz que identidade de serial killer não foi identificada

Apesar da especulação, a polícia local de Riverside, responsável por um dos casos, e o FBI desmentiram o grupo. Investigadores federais e policiais encarregados de resolver o mistério do serial killer do Zodíaco, que já dura 52 anos, disseram que essa nova pista "não se sustenta".

"O caso do Assassino do Zodíaco permanece aberto. Não temos nenhuma informação nova para compartilhar no momento", disse o escritório do FBI em São Francisco em um comunicado na quarta-feira, 6.

O Departamento de Polícia de São Francisco também fez a mesma declaração. Fontes em ambas as agências disseram ao San Franciso Chronicle que as evidências apresentadas pelo Case Breakers não parecem ser conclusivas. "Se você ler o que eles (o grupo amador) divulgam, são todas evidências circunstanciais. Não é muito para sustentar o caso", disse o policial Ryan Railsback ao jornal.

Quanto a quaisquer ligações do Zodíaco com o assassinato de Bates, Railsback disse que seu departamento trabalhou com agentes do FBI para desvendar uma carta e outros indicadores que ligariam o caso ao serial killer, e em agosto anunciou uma recompensa de US$ 50 mil (R$ 275 mil) por pistas sobre o caso. Os Case Breakers ligaram para ele sobre a recompensa, mas desapareceram quando ele pediu mais informações.

'Pistas' sobre a identidade do Assassino do Zodíaco

David Oranchak, que fez parte de uma equipe do FBI que quebrou alguns códigos criados pelo Zodíaco em suas cartas, disse na quarta-feira que é improvável que o grupo de investigadores amador estivesse correto em sua análise ou que as mensagens cifradas enviadas pelo assassino contivessem o nome do suspeito. Os Case Breakers estavam interpretando anagramas, disse ele, e essa técnica pode produzir uma "variedade estonteante de nomes e palavras com fácil manipulação". "Parece pouco provácel que o nome esteja realmente lá", declarou.

"Eu realmente sinto que resolvemos este caso", disse Tom Colbert, um integrante do Case Breakers, ao San Francisco Chronicle. Ele disse que sua equipe investiga casos arquivados há 10 anos. Eles também alegam ter decifrado outros mistérios, como o desaparecimento do chefe de sindicato Jimmy Hoffa. "Não há ego aqui", disse ele. "Fazemos isso para resolver casos."

Colbert disse à publicação de São Francisco que a força-tarefa identificou Gary Francis Poste, um veterano da Força Aérea que vivia perto de Sierra Nevada, no norte da Califórnia, como o Assassino do Zodíaco. O veterano da Força Aérea também seria responsável pela morte de uma sexta vítima, Cheri Jo Bates, de 18 anos, morta em 31 de outubro de 1966 em Riverside, Califórnia.

A equipe de investigadores amadores afirma que os detetives recuperaram "cabelos, pele e sangue" de Cheri debaixo das unhas de Poste. Eles estão convocando a polícia para testar as supostas provas - que dizem estar armazenadas na cidade de Vallejo, no norte da Califórnia - com as da pessoa que identificaram no caso.

Railsback, o policial responsável pelo departamento de polícia de Riverside, disse que a Unidade de Casos em Aberto do Departamento de Polícia de Riverside recebeu uma carta manuscrita em 1967, que inicialmente levou os investigadores a acreditarem que o Assassino do Zodíaco poderia estar por trás de seu assassinato. O departamento recebeu uma segunda carta, desta vez em 2016, digitada, desculpando-se pela carta anterior e dizendo que foi escrita como uma "piada de mau gosto".

Em 2020, a Riverside Cold Case Unit e a Equipe de Genealogia Investigativa do FBI de Los Angeles usaram evidências de DNA do selo na carta de 2016 para rastrear o autor e confirmar que ele escreveu as duas cartas. O autor, que era um adolescente em 1967, não estava envolvido no assassinato de Bates, determinaram os investigadores.

Ao longo de 52 anos, outras equipes de investigadores como os Case Breakers, incluindo algumas com a participação de ex-policiais, surgiram com diferentes suspeitos. O San Francisco  Chronicle, a polícia e o FBI dizem receber centenas de pistas e cartas todos os anos sobre possíveis suspeitos de serem o Assassino do Zodíaco, desde pais falando de seus filhos a assassinos como Charlie Manson, e até mesmo colunistas de jornal.

Assassino do Zodíaco: o que é o caso do serial killer

O Assassino do Zodíaco,  que nunca foi preso, matou cinco pessoas a atiros e facadas, em uma série de assassinatos que aterrorizaram a área da Baía de São Francisco no final dos anos 1960.

O nome Zodíaco era usado pelo próprio assassino, que ganhou fama pela brutalidade das mortes e pelas comunicações cifradas com que provocava jornalistas e investigadores.

A série de assassinatos começou em dezembro de 1968, com um homem e uma mulher mortos a tiros dentro de um carro.

Em julho de 1969, outro homem e uma mulher foram baleados, mas ele sobreviveu.

Mais tarde naquele ano, um homem e uma mulher - um casal - foram esfaqueados perto de um lago. Apenas o homem sobreviveu.

Em outubro de 1969, um motorista de táxi foi morto a tiros em São Francisco.

O assassino, que nunca foi acusado ou identificado, disse ter assassinado 37 pessoas em cartas a jornais, mas os investigadores trabalharam com base em sete vítimas no total, sendo cinco delas homicídios.

Os assassinatos inspiraram dois filmes - Zodíaco, de 2007, com Robert Downey Jr e Jake Gyllenhaal, e Perseguidor Implacável, em 1971, estrelado por Clint Eastwood como um detetive durão de San Francisco. / AP e REUTERS

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