Série de ataques a prédios residenciais mata 50 em bairros xiitas de Bagdá

Sectarismo. Governo culpa Al-Qaeda e partidários de Saddam Hussein pelas 7 explosões na capital, que deixaram 180 feridos; ontem foi o quinto dia consecutivo de atentados atribuídos a militantes sunitas, 119 iraquianos já morreram na nova onda de terror

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

Pelo menos sete atentados coordenados em Bagdá deixaram mais de 50 mortos e reacenderam temores de que o Iraque entre novamente em uma espiral de violência sectária. Ontem foi o quinto dia consecutivo com ataques ? que, ao todo, deixaram 119 mortos. Nas ações de ontem, porém, os alvos surpreenderam. A maior parte deles teve como alvo conjuntos habitacionais de bairros xiitas.

Autoridades iraquianas e americanas culparam grupos sunitas afiliados à Al-Qaeda e integrantes do partido de Saddam Hussein pelos atentados, que deixaram 180 feridos. Segundo elas, os insurgentes estariam se aproveitando do vácuo na segurança provocado pela indefinição do resultado da eleição do dia 7. A coalizão do premiê Nuri al-Maliki ficou em segundo lugar na votação.

"Está claro que esses ataques são produto do vácuo de poder e de como a democracia está sendo roubada no Iraque", protestou Iyad Allawi, ex-premiê e líder da coalizão Iraqiya, que conseguiu, com uma estreita vantagem, o maior número de cadeiras no Parlamento.

O general iraquiano Qassim al-Moussawi afirmou que militantes usaram bombas caseiras e, em um caso, um carro-bomba. Para ele, o Iraque está "em estado de guerra". Segundo fontes médicas, entre as vítimas há várias crianças e mulheres.

O primeiro atentado ocorreu às 9h30 (horário local) em um conjunto habitacional de Shula, bairro majoritariamente xiita do noroeste de Bagdá. "Vimos uma coluna de fogo e fumaça subindo de um prédio e, enquanto ainda estávamos apavorados, ocorreu uma nova explosão", relatou o estudante Ali Hussein, de 22 anos, que mora em Shula.

Por volta das 9h45, uma outra bomba colocada em um saco plástico abalou o bairro de Allawi, a poucos metros do Ministério da Cultura. Logo após a tragédia, moradores do local começaram a revirar os escombros em busca de sobreviventes.

De acordo com o governo iraquiano, militantes usaram apartamentos vazios para colocar as bombas. Insurgentes teriam "ludibriado proprietários" dos imóveis, oferecendo grandes somas de dinheiro pelos aluguéis.

Temor sectário. Na segunda-feira, um casal e seus quatro filhos foram assassinados em Bagdá. No domingo, três carros-bomba mataram 40 pessoas em um bairro da capital onde ficam várias embaixadas.

A onda de violência dos últimos dias é remanescente da guerra civil sectária que atormentou o Iraque entre 2005 e 2007, que obrigou os EUA a ampliar sua presença militar no país. Desde então, a violência sofreu uma redução, mas ciclos de ataques coordenados voltaram a ocorrer, sobretudo quando há grandes eventos nacionais, como eleições.

Diplomatas e militares americanos no Iraque negaram que os atentados sejam um prenúncio de uma nova guerra sectária. "Estamos obviamente preocupados, mas não vemos paralelos com o que ocorreu há alguns anos", disse Philip Frayne, porta-voz da Embaixada dos EUA em Bagdá. "Nós não vemos uma guerra sectária começando."

O tenente-coronel Eric Bloom, porta-voz do Exército americano, culpou a Al-Qaeda pelos ataques em série. Mas o militar afirmou que as ações são "atos de violência aleatórios".

/ REUTERS, AP E AFP

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