Série de ataques a xiitas deixa 200 mortos no Iraque

Insurgentes sunitas intensificaram nesta terça-feira, 7, seus ataques provocando um verdadeiro massacre de xiitas, que viajavam para participar de um festival religioso em Kerbala, ao sul de Bagdá. Além dos ataques a xiitas - que foram alvos em diversas cidades iraquianas -, outros atentados atingiram o país, deixando ao menos 200 mortos e 300 feridos. Os atentados contra xiitas devem aprofundar ainda mais a tensão sectária, que há mais de um ano vem empurrando o Iraque para uma guerra civil. O pior ataque aconteceu em Hilla, a 130 quilômetros de Bagdá, onde dois homens-bomba se explodiram, numa área de descanso, matando 115 peregrinos xiitas e ferindo centenas. O lugar estava lotado de iraquianos - entre eles, centenas de mulheres e crianças - que faziam uma pausa na viagem em tendas onde água e comida eram servidas.?Vi um dos homens-bomba. Ele tinha uns 40 anos. Entrou correndo no meio da multidão e se explodiu. Foi o caos. Vi pedaços de corpos voando?, contou uma testemunha que não quis se identificar. Horas depois do atentado, meninos usavam grandes rodos para limpar as poças de sangue. Nos canteiros, sapatos das vítimas eram separados em grandes pilhas.O diretor do hospital municipal de Hilla, Mohammed al-Temimi, disse que o estado de boa parte dos feridos é grave, por isso o número de mortos deve aumentar. A situação dos centros médicos no Iraque é gravíssima. Em entrevista ao Estado, o neurologista Adil al-Shemery, diretor do hospital Al-Kindi em Bagdá, disse que faltam todos os tipos de medicamentos, desde analgésicos a remédios para queimaduras. Shemery informou ainda que o único aparelho de tomografia em hospital público da cidade está quebrado. Além disso, há o problema da ?fuga de médicos?, que deixaram o Iraque por causa da guerra.Os peregrinos em Hilla seguiam para a cidade sagrada de Kerbala, para comemorar o Arbain - festividade religiosa que ocorre 40 dias após a Ashura. Mais importante cerimônia do calendário xiita, a Ashura lembra o aniversário da morte do imã Hussein, neto do Profeta Maomé e fundador do xiismo, na Batalha de Kerbala, em 680 d.C. Muitos dos peregrinos usam roupas típicas da época do imã no caminho até a mesquita sagrada.Nos últimos dois anos, a segurança dos peregrinos ficou a cargo da poderosa milícia Exército Mehdi, do clérigo xiita antiamericano Muqtada al-Sadr. Esse ano, porém, o grupo concordou em baixar as armas. Sadr e seus aliados vêm sofrendo intensa pressão do governo para diminuir suas atividades.No sul de Bagdá, dois ataques com carros-bomba atingiram grupos de peregrinos, deixando 18 mortos e mais de 30 feridos. Em Latifiya, ao sul da capital próximo a Kerbala, homens armados atacaram uma van com homens e mulheres xiitas, matando três pessoas. O Exército dos EUA divulgou que nove soldados morreram nas últimas 24 horas. As mortes aconteceram em dois ataques distintos, em Saladin e Diyala - províncias próximas a Bagdá que são dominadas por sunitas. Texto alterado às 3h46 para recontagem do número de mortos

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