Série de atentados mata ao menos 150 na Nigéria

Uma série de atentados deixou pelo menos 150 mortos na cidade Damaturu, no norte da Nigéria. Entre as vítimas estão muitos policiais. Ontem, grupo radical islâmico Boko Haram assumiu a autoria dos ataques. Entre os alvos escolhidos estavam igrejas e delegacias.

LAGOS, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h01

Os ataques começaram no início da sexta-feira, com a detonação de um carro-bomba contra a sede da polícia. Militares morreram na explosão. Em seguida, militantes fortemente armados percorreram a cidade, detonando uma bomba num banco e atacando pelo menos três delegacias e seis igrejas. O ataque se estendeu por toda a noite.

"Trabalhei no transporte dos corpos para o necrotério. Pessoalmente contei pelo menos 150 corpos", disse um dos funcionários da equipe de resgate, sob anonimato. Um porta-voz da Cruz Vermelha afirmou que a maioria dos mortos estava em prédios do governo. Testemunhas afirmam que centenas de pessoas ficaram feridas.

Enquanto a cidade de Damaturu era atacada, quatro bombas explodiram em diferentes áreas de Maiduguri, a cerca de 130 quilômetros ao leste, onde o Boko Haram tem mais presença.

O grupo terrorista radical islâmico assumiu a autoria dos ataques por meio de uma carta em um jornal local. "Vamos continuar atacando instituições do governo até que as forças de segurança parem de perseguir nossos integrantes, assim como civis vulneráveis", disse Abul Qaqa, integrante da seita.

No idioma hausa, Boko Haram significa "A educação ocidental é pecaminosa". O grupo, que prega a aplicação da sharia na Nigéria, opera no norte do país, majoritariamente muçulmano, mas com algumas comunidades cristãs.

O Boko Haram também assumiu a autoria do atentado de agosto contra a sede da ONU na capital, Abuja, com 24 mortos.

Mais de 200 grupos étnicos vivem em relativa paz na Nigéria, país mais populoso da África, com 140 milhões de habitantes. A última guerra civil, entre 1967 e 1970, deixou entre 500 mil e 2 milhões de nigerianos mortos. Desde então, o governo enfrenta apenas ondas esporádicos de violência.

Nos últimos anos, o governo nigeriano passou a conviver com ataques frequentes de insurgentes. Mas os principais alvos eram empresas de petróleo no Delta do Níger. Os grupos exigem maior participação nos lucros do petróleo. Nos últimos meses, os ataques estavam sendo dirigidos contra o governo, delegacias e bancos. / AFP e AP

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