REUTERS/Daniel Aguilar
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Série sobre vida de Hugo Chávez irrita bolivarianos

Lideranças chavistas criticam o programa criado pelo ex-ministro do Comércio e colunista do 'Estado', Moisés Naím

O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2017 | 05h00
Atualizado 31 Janeiro 2017 | 10h33

CARACAS - Uma série de televisão sobre a vida e obra do presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, está provocando uma série de críticas no país às vésperas de o programa ir ao ar. A cúpula chavista, que governa o país em meio a uma grave crise econômica, com escassez de alimentos e remédios, além de hiper inflação, criticou a produção, batizada pelo canal Sony de "El Comandante" e gravada em espanhol.  

O programa deve ser exibido na América Latina e nos Estados Unidos. Ele foi criado pelo ex-ministro do Comércio Moisés Naím - colunista do Estado - crítico do chavismo. 

Segundo Naím, que hoje vive nos EUA, ele teve a ideia depois de passar anos tentando explicar o chavismo a seus amigos em Washington. "Há duas coisas inegáveis, apesar da ideologia: a primeira é que Chávez era um político extraordinariamente carismático que seduziu plateias em todo o mundo", disse ele. "A segunda é que é muito difícil argumentar que a tragédia atual não tem nada a ver com ele."

Muitos dos erros e acertos de Chávez são conhecidos mundialmente. Ao longo de 14 anos no poder, ele transformou sua presidência em uma espécie de reality show. Para o diretor venezuelano, a série só poderia ser boa se focasse no que acontecia com o presidente longe das câmeras. 

Em uma das cenas, o ator Andrés Parras, que encarna Chávez na série, acende um cigarro e compartilha seus planos para o referendo constitucional que o permitiria candidatar-se indefinidamente. "Vamos mudar tudo, do capitalismo para o socialismo", disse. 

O programa atraiu críticas de lideranças chavistas, que o qualificaram de "lixo imperialista". A atual primeira-dama, Cilia Flores, prometeu processar a Sony. Diosdado Cabello, homem forte do governo, disse que a decisão de escolher Parra - que já interpretou Pablo Escobar - para o papel era uma onfesa. 

"O atacaram quando era vivo e continuam fazendo isso depois de sua morte", disse Cabello, que iniciou uma campanha em seu programa e pediu aos partidários do governo exibir placas com os dizeres "Aqui não se fala mal de Chávez". / AP

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