Wilton Júnior/ Estadâo
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Serra eleva tom contra governo Maduro

Chanceler fez críticas a Caracas após reunir-se com o deputado oposicionista venezuelano Luis Florido e o coordenador do movimento oposicionista Voluntad Popular, Carlos Vecchio

Lu Aiko Otta - Brasília, O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2016 | 18h07

Após reunir-se com o deputado oposicionista venezuelano Luis Florido e o coordenador do movimento oposicionista Voluntad Popular, Carlos Vecchio, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, subiu o tom das críticas ao governo de Nicolás Maduro.

"Todos os países democráticos do mundo deveriam pressionar a Venezuela”, afirmou, ao acusar o governo de adotar manobras para protelar o referendo revogatório que poderá tirar Maduro do poder.

Segundo explicou, o atual presidente tenta adiar a consulta até 2017, quando então terá a possibilidade de, uma vez derrotado nas urnas, indicar seu vice para continuar o mandato. Se o processo ocorrer este ano e Maduro perder, haverá novas eleições na Venezuela.

“Desfeito o governo autoritário, contem com o Brasil para sua reconstrução”, afirmou ele aos oposicionistas.  “A Venezuela é um país amigo.”

Serra também lamentou o fato de o governo Maduro não haver aceitado a oferta brasileira de doar a eles medicamentos básicos produzidos pelos laboratórios públicos brasileiros. O país vive um quadro agudo de desabastecimento.

O ministro classificou o governo venezuelano de “autoritário, discricionário e repressivo” por haver condenado o político oposicionista Leopoldo López a 14 anos de prisão por crime de opinião. A sentença foi confirmada na semana passada.

Pelo desrespeito aos direitos humanos, a Venezuela não tem condições de presidir o Mercosul, na visão do governo brasileiro. “A Venezuela não vai assumir a presidência, isso é seguro”, reafirmou o chanceler.

Ele acrescentou que os sócios estão em busca de uma solução para conduzir a presidência até dezembro. Em janeiro, pelo sistema rotativo, o bloco econômico passa a ser presidido pela Argentina.

Apesar de seu claro apoio à oposição venezuelana, Serra não respondeu se o Brasil enviará observadores para a manifestação marcada para o dia 1º em favor do referendo.

O deputado Florido afirmou que a marcha “vai marcar um antes e um depois na Venezuela”. Mais enfático, Vecchio disse que está em curso, no seu país, um processo de mudança “irreversível” e a oposição quer liderá-lo de maneira pacífica. Ele ainda agradeceu ao governo brasileiro pela pressão que tem exercido sobre a Venezuela em relação à presidência do Mercosul.

 

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