Serra Leoa conta votos e candidatos reclamam de fraudes

Serra Leoa conta neste domingo osvotos do tenso segundo turno da eleição presidencial, queapesar do temor de violência terminou sem casos graves, mas oscandidatos trocaram acusações de fraude e intimidação. A eleição de sábado, que representa o fim de uma votaçãoconsiderada um teste para a estabilidade do estado do Oeste daÁfrica depois da guerra civil de 1991 a 2002, escolherá osucessor do presidente Ahmad Tejan Kabbah, que deixa o cargoapós dois mandatos. Kabbah apoiou o vice-presidente Solomon Berewa, mas a mídialocal dá uma pequena vantagem para o líder da oposição, ErnestBai Koroma, do partido Congresso do Povo (APC), que ganhou oprimeiro turno em 11 de agosto e cuja aliança controlará opróximo parlamento. "Temos entre cinco e 10 por cento dos votos. Até agora, oAPC está liderando", disse Ransford Wright, da Rede de RádioIndependente, que tem 20 estações locais com repórterescoletando resultados dos postos eleitorais. Os resultados oficiais da Comissão Eleitoral Nacional devemcomeçar a ser divulgados apenas na segunda-feira. Mas simpatizantes do APC comemoraram depois do fechamentodas urnas dançando nas ruas e cantando lemas do partido em cimade caminhões. O partido disse que, com mais de 300 mil votos contados,tinha 56 por cento. Mas não ficou claro de onde vieram estesvotos, ou se são representativos. O primeiro turno expôs brigas regionais e étnicas no nortee no oeste do país, pró-APC, incluindo a capital Freetown, e osul e o leste, onde o partido de Kabbah, o Partido Popular deSerra Leoa (SLPP), é forte. Observadores disseram que a votação de sábado foi em grandeparte pacífica, mas que os dois lados afirmam que houveintimidação. "Temos relatos de que entre 40 e 50 de nossos agentes foramintimidados e retirados de postos eleitorais", disse AlhajiJah, presidente do SLPP. O APC disse que houve muita votação dupla na cidade deKenema, no sudeste, e que cinco agentes foram sequestrados eatacados com facas em Bo, segunda maior cidade do país, no sulde Serra Leoa, onde o SLPP tem muito apoio. "Não vamos aceitar os votos de Kailahun e Kenema", afirmouo porta-voz do APC Alpha Kanu. "Não deram acesso a nossosagentes." Kailahun é uma cidade localizada na área de mineração dediamantes, cujas pedras preciosas geraram uma guerra civil de11 anos, na qual 50 mil pessoas morreram. A eleição é a primeira desde que os pacificadores daOrganização das Nações Unidas deixaram a região, há dois anos.

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