Sérvia acusada por tribunal da ONU se declara culpada

A dirigente servo-bósnia Biljana Plavsic, um dos suspeitos de mais alto nível já acusados pelo tribunal das Nações Unidas para crimes de guerra na ex-Iugoslávia, declarou-se nesta quarta-feira culpada de crimes de lesa-humanidade. Plavsic, de 72 anos, em uma transmissão em circuito fechado a partir de um escritório do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) em território iugoslavo, disse que se declarava "culpada" do delito de perseguição. Depois que Plavsic mudou sua declaração original, a promotoria retirou todas as demais acusações de que era alvo, incluindo a mais grave, por genocídio. A ré, que se entregou ao tribunal em janeiro de 2001 e havia obtido liberdade condicional, declarou-se inocente de oito acusações de crimes de guerra por sua participação na guerra da Bósnia de três anos e meio de duração. A ex-dirigente foi designada possível testemunha contra outros suspeitos notórios, como o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, agora julgado por genocídio e crimes de guerra durante as guerras nos Bálcãs na década passada. O painel de três juízes da ONU determinou que Plavsic pode ficar em liberdade até ser convocada para ouvir a sentença.A única mulher acusada perante o TPII foi aliada do presidente servo-bósnio Radovan Karadzic, ao qual apoiou em sua rejeição a uma Bósnia-Herzegovina independente e multiétnica - o que desencadeou a guerra.

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