Sérvia autoriza extradição de Mladic para Haia

Um juiz sérvio concedeu ontem a aprovação preliminar para a transferência do ex-general servo-bósnio Ratko Mladic para Haia, na Holanda, onde ele será processado por crimes de guerra e genocídio. A defesa do ex-militar prometeu recorrer para impedir a transferência. Segundo os advogados dele, Mladic, de 68 anos, tem a saúde fragilizada e não suportaria o julgamento.

NYT, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

O "açougueiro de Srebrenica" foi detido na quinta-feira após quase 15 anos foragido. Ele é acusado de ser o responsável pelo massacre de 8 mil bósnios muçulmanos em 1995 e de comandar o cerco a Sarajevo, que durou quatro anos, durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

Uma comissão formada por três juízes ouvirá a apelação na segunda-feira. Se a decisão de ontem for confirmada, será necessária a autorização do Ministério da Justiça da Sérvia para que ele seja extraditado.

O filho do ex-general, Darko Mladic, que no passado afirmou que o pai tinha morrido, visitou-o duas vezes na quinta-feira, pouco depois que a prisão foi anunciada pelo presidente Boris Tadic. Do lado de fora do tribunal, Darko disse que o pai sofria de uma série de problemas médicos, entre eles a paralisia parcial da mão direita, decorrente de dois derrames.

"A saúde dele não é nada boa", afirmou. O filho do ex-general pediu que o pai seja examinado por uma equipe de médicos da Rússia, país com elos históricos com a Sérvia que exigiu um julgamento justo para Mladic. Darko evitou responder quando tinha visto o pai pela última vez na prisão. "Próxima pergunta", declarou.

TV e morangos. Segundo o advogado de Mladic, Milos Saljic, durante a audiência, seu cliente desafiou um promotor para uma partida de xadrez em sua cela, pediu um televisor e também obras dos clássicos da literatura russa. Mladic também solicitou outro privilégio: morangos frescos.

"Depois de tirarem tanto dinheiro de mim, acho que mereço alguns morangos", teriam sido as palavras de Mladic. Um promotor ofereceu-se para levar o televisor e as frutas.

A prisão de Mladic - a quem, se acreditava, membros do Exército sérvio e do serviço de espionagem do país teriam protegido durante anos - foi um sinal do desejo da Sérvia de finalmente escapar do isolamento no qual o país foi jogado durante as guerras balcânicas, o mais sangrento conflito europeu desde a 2.ª Guerra. Com isso, cai um grande obstáculo à aceitação do país na União Europeia, objetivo que o governo de Tadic vem buscando nos últimos anos.

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