Sérvia cortará relações com países que reconhecerem Kosovo

A Sérvia deve cortar laços diplomáticos com todos os países que reconhecerem a independência de Kosovo, exigiu o Partido Conservador do primeiro-ministro sérvio, no poder, como uma condição para participar do novo governo que está sendo formado, informou nesta quarta-feira um jornal. O jornal diário Blic afirmou que a exigência apresentada pela Coalizão Popular, de Vojislav Kostunica, foi entregue na terça-feira ao presidente Boris Tadic durante conversações com funcionários do partido. A notícia não foi confirmada pela coalizão, mas Dragan Jocic, vice-presidente do partido de Kostunica, disse depois das conversações que antes de o novo governo ser formado, os partidos precisam acordar uma estratégia conjunta para lidar com o plano da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Kosovo, província do sul da Sérvia que quer a independência. O partido do primeiro-ministro Kostunica, que agora deve deixar o cargo, ficou em terceiro lugar nas eleições parlamentares de 21 de janeiro, enquanto o Partido Democrático, de Tadic, se sobressaiu como o mais forte nas eleições, no âmbito de um bloco democrático. O ultranacionalista Partido Radical conseguiu a maioria das cadeiras no Parlamento, e um acordo entre os partidos de Tadic e Kostunica é crucial para a formação de um governo reformista na Sérvia. Depois das conversações, o escritório de Tadic disse que a coalizão de Kostunica apresentou "condições prévias para a formação do governo", que incluíam "possíveis medidas da Sérvia, no caso de uma solução imposta para o futuro status de Kosovo". Kostunica, que afirmou que vai boicotar a apresentação do plano a ser feita nesta sexta-feira pelo enviado da ONU, já acenou no passado ser favorável a cortar relações com todos os países, especialmente com os membros da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), se eles reconhecerem a independência da província.Os críticos de Kostunica dizem que a sua recusa em se encontrar com o enviado da ONU Martii Ahtisaari é apenas uma tática para atrasar o inevitável. A proposta de Ahtisaari, revelada por diplomatas ocidentais e russos na semana passada, deve pedir a independência condicional de Kosovo, sob supervisão internacional. Kostunica afirmou que não pode se encontrar com Ahtisaari por não estar habilitado a debater sobre Kosovo antes que seja formado um novo governo.Kosovo é um protetorado da ONU desde que uma intervenção da Otan, em 1999, pôs fim à investida sérvia contra os rebeldes separatistas de etnia albanesa. Os albaneses étnicos, que respondem por 90% da população de Kosovo, de 2 milhões, rejeitaram a oferta da Sérvia de ampla autonomia dentro das fronteiras sérvias e só aceitam a independência.

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