Sérvia decide realizar eleições no Kosovo

Eleição sérvia também acontecerá em regiões do Kosovo, que o país considera sua província

Efe,

03 de abril de 2008 | 21h10

O governo sérvio decidiu nesta quinta-feira, 3, que as eleições parlamentares e locais que ocorrerão na Sérvia em 11 de maio serão realizadas também nas regiões povoadas por sérvios do Kosovo. O ministro sérvio para o Kosovo, Slobodan Samardzic, anunciou que o governo enviará um pedido sobre a questão à missão das Nações Unidas no Kosovo (Unmik), Estado que a Sérvia considera sua província, embora os albano kosovares tenham proclamado um Estado independente em fevereiro.   Veja também: União Européia promete ajuda à Sérvia antes de eleições de maio 'Não esperem flores', alerta Otan a radicais sérvios Putin diz que enviará ajuda humanitária aos sérvios do Kosovo   A Unmik, desdobrada no Kosovo em 1999, depois da guerra, é a única autoridade que pode decidir sobre a organização dessas eleições, as quais os líderes albaneses já qualificaram de inaceitáveis. Os sérvios, que representam 5% de dois milhões de habitantes do Kosovo e estão concentrados no norte e em vários enclaves isolados do interior, não reconhecem a independência unilateral declarada por Pristina e reiteraram sua lealdade às instituições de Belgrado.   A Sérvia considera "ilegal" a independência unilateral do Kosovo, e adotou medidas diplomáticas e políticas par impedir sua entrada em instituições internacionais e conseguir abrir novas negociações sobre o estatuto desse território.   Ex-premiê absolvido   Ainda nesta quinta-feira, as autoridades sérvias condenaram a decisão do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) de absolver o ex-primeiro-ministro do Kosovo Ramush Haradinaj, antigo comandante guerrilheiro albano kosovar, das acusações de crimes de guerra.   "Com essa decisão, o Tribunal de Haia frustra a justiça e as vítimas inocentes de Haradinaj", disse o atual primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, em comunicado. Kostunica criticou a decisão "obscura" e o TPII, que qualificou de "um tribunal que não existe para pronunciar sentenças, mas, evidentemente, para, entre outros, emitir certificados oficiais de inocência aos que cometiam crimes, como Haradinaj."   "Dessa forma foi cometido, além dos crimes de Haradinaj contra os sérvios, também outro novo grande crime, e a Sérvia o comunica publicamente e sem ambigüidades", destacou o primeiro-ministro.   Mesmo antes de se conhecer a decisão do TPII, o presidente sérvio, Boris Tadic, havia declarado que a absolvição de Haradinaj seria uma grande injustiça e uma perda de credibilidade para a corte internacional."Se essa decisão acontecer, não seria uma satisfação para a justiça, nem um encorajo para os sérvios e outros não albaneses para que no futuro tenham uma vida tranqüila e segura no Kosovo", disse Tadic.   Por falta de provas, o TPII absolveu Haradinaj e também o antigo membro da guerrilha albano kosovar Idriz Balaj, de crimes de guerra e lesa-humanidade, que ele teria cometido entre março e setembro de 1998. Outro ex-guerrilheiro, Lahi Brahimaj, foi condenado a seis anos de prisão.    

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