Sérvia diz estar pronta para negociação com Kosovo

O presidente da Sérvia, Boris Tadic, afirmou que seu país está pronto para participar de conversas com Kosovo. No entanto, a autoridade destacou que nunca vai reconhecer a separação da província. As declarações de Tadic não indicam sucesso das negociações entre as capitais Belgrado e Pristina, que a União Europeia espera mediar, já que o Kosovo insiste que não discutirá qualquer assunto relacionado a seu status de nação independente.

AE-AP, Agência Estado

25 de setembro de 2010 | 18h12

Há duas semanas, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou uma resolução sérvia pedindo negociações entre as duas partes. Sob pressão dos EUA e da União Europeia, a Sérvia concordou em descartar sua resolução anterior - que descrevia a separação do Kosovo como inaceitável - e a substituiu por um novo texto que simplesmente reconheceu a decisão de um tribunal internacional de que a declaração de independência do Kosovo, em 2008, foi legal.

A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, se encontrou com Tadic e com o primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, durante a assembleia da ONU em Nova York nesta semana para abrir o caminho para as negociações. Segundo relatos, Thaci reiterou a Catherine que as conversas vão tratar apenas de questões entre dois Estados soberanos.

Em discurso na assembleia da ONU hoje, Tadic descreveu a resolução de seu país como um "status neutro" e saudou a prontidão da União Europeia para facilitar o diálogo entre a Sérvia e o Kosovo. No entanto, a autoridade observou que a posição de seu governo continua inalterada. "A independência declarada unilateralmente pelo Kosovo não será reconhecida pela Sérvia implícita ou explicitamente", disse.

A Sérvia considera o Kosovo o berço de sua religião e de seu Estado. Para Kosovo as negociações são de suma importância porque, embora 70 membros da ONU o reconheçam como um país independente, a nação ainda não tem o apoio necessário para entrar para a organização. Rússia e China podem usar seu poder de veto como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para bloquear a entrada do Kosovo no grupo.

Mas as negociações também são vitais para a Sérvia, que quer entrar para a União Europeia. Vinte e dois dos 27 membros do bloco já reconheceram Kosovo e é improvável que a candidatura da Sérvia consiga prosseguir sem uma solução para a disputa.

O Kosovo, que era parte da Sérvia desde 1912, passou a ser administrado pela ONU e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 1999, depois que uma guerra aérea liderada pela Otan interrompeu os ataques do então líder da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, aos separatistas albaneses da região. Porém, a resolução do Conselho de Segurança da ONU que estabeleceu a administração interina deixou o status final do Kosovo em aberto.

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