Sérvia: homenagem a Milosevic e Djindjic

A cúpula governamental e milhares de cidadãos de toda a Sérvia lembraram hoje o terceiro aniversário da morte do primeiro chefe do Governo reformista Zoran Djindjic, enquanto paralelamente foram feitas homenagens ao ex-presidente da Sérvia e da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, morto ontem. O presidente da Sérvia, Boris Tadic, parentes de Djindjic e milhares de cidadãos depositaram flores sobre o túmulo do primeiro-ministro, na Alameda dos Grandes no cemitério de Belgrado. O primeiro-ministro, Vojislav Kostunica, membros de seu Executivo e do Gabinete de Djindjic, colocaram, por sua vez, oferendas de flores no pátio do Governo, no centro da capital, onde Djindjic foi morto a tiros por um franco-atirador em 12 de março de 2003. Djindjic foi o motor das mudanças democráticas iniciadas com a queda de Milosevic e de seu regime autoritário, em outubro de 2000. O terceiro aniversário da morte de Djindjic pôs hoje em segundo plano as notícias sobre o repentino falecimento de Milosevic. O corpo de Milosevic foi encontrado na manhã deste sábado em sua cela na prisão do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), que o julgava desde fevereiro de 2002 por sua responsabilidade nos crimes cometidos durante as guerras da Croácia, Bósnia e Kosovo. Ao longo do dia de hoje, em várias cidades da Sérvia, os seguidores de Milosevic assinavam os livros de condolências abertos nas sedes do Partido Socialista da Sérvia (SPS) e acenderam velas em sua memória. Os socialistas e o ultranacionalista Partido Radical Sérvio (SRS) - que integravam o Governo durante a era de Milosevic - acusaram o TPII de tê-lo "assassinado" ao não permitir, supostamente, que recebesse o tratamento médico adequado. O ministro de Exteriores da Sérvia e Montenegro, Vuk Draskovic, ex-líder da oposição ao regime de Milosevic, disse hoje à agência sérvia Beta que está "envergonhado" com a reação dos seguidores do ex-presidente diante da notícia de sua morte. "Ao promover um assassino em série à categoria de herói nacional, suas vítimas são novamente assassinadas", disse Draskovic, que ressaltou que a Sérvia está aparecendo perante o mundo como "um país no qual o crime é a maior virtude".

Agencia Estado,

12 Março 2006 | 21h00

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