Sérvia rejeita diálogo que envolva independência de Kosovo

Premiê afirma que precondição representa dura violação da Carta da ONU

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, rejeitou nesta sexta-feira, 15, qualquer negociação condicionada pela aceitação da independência do Kosovo, informou um comunicado do governo emitido após a reunião de Kostunica com o ministro de Exteriores italiano, Massimo D´Alema."A Sérvia não negociará sobre a independência de sua província, porque qualquer forma de independência representaria uma dura violação da Carta da ONU", disse Kostunica.Segundo Kostunica, o país propôs uma iniciativa diferente para as novas negociações e mostrou sua clara disposição a participar da busca de compromisso que não afete a soberania nem a integridade territorial da Sérvia.O primeiro-ministro sérvio se referiu a uma iniciativa apresentada no final de maio ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.Durante um encontro do ministro de Assuntos Exteriores italiano com o presidente sérvio, Boris Tadic, os dois concordaram que o futuro estatuto do Kosovo deve ser decidido pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU e consideraram que o reconhecimento unilateral de independência seria a pior solução, indica o comunicado presidencial.As divisões no CS, sobretudo entre os Estados Unidos e a Rússia, dificultam a decisão sobre o futuro do território.Os EUA e a União Européia (UE) apóiam o plano do mediador Martti Ahtisaari que prevê dar ao Kosovo uma independência sob supervisão internacional, mas a Rússia não aceita a proposta e se opõe a uma solução que seja imposta a Belgrado.A Rússia, que tem direito a veto no CS, apóia a Sérvia no pedido para dar continuidade ao processo negociador entre sérvios e albano-kosovares até chegarem a um acordo.A Sérvia teme a possibilidade de os albaneses - maioria no Kosovo - proclamarem a independência unilateral e o reconhecimento do novo país pelos EUA.Na semana passada, a França propôs que a decisão sobre o estatuto do Kosovo seja adiada por seis meses, para dar mais tempo a sérvios e albaneses para que alcancem um acordo e à Rússia, para evitar as divisões na comunidade internacional.O Kosovo está sob protetorado interino da ONU desde que acabou a guerra, há oito anos, enquanto aguarda uma decisão definitiva sobre seu estatuto legal.

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