Paul Ratje/AFP
Paul Ratje/AFP

Serviço migratório americano registra 19 casos de coronavírus em centros de detenção

EUA respondem por mais de um quarto dos casos declarados oficialmente de covid-19 em todo o mundo: 396.223, sendo 29.609 apenas na terça-feira, 7

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 03h54

O Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos (ICE) confirmou, na terça-feira, 7, que 19 pessoas retidas em seus centros de detenção em vários estados estão infectadas com o novo coronavírus. "Há 19 casos confirmados da doença entre as pessoas que estão sob custódia do ICE", anunciou o órgão, no momento em que o vírus já matou mais de 12 mil pessoas no país.

Entre os casos, seis foram detectados em três instalações do estado de Nova Jersey, vizinho a Nova York, onde o vírus já provocou 5.489 mortes - metade dos óbitos a nível nacional.

Entre os demais infectados, cinco estavam em Pike, Pensilvânia, e outro na prisão do condado de York, no mesmo estado. Segundo o ICE, os demais casos foram registrados no Arizona, Michigan, Louisiana e Califórnia. Na prisão do condado de Clair, em Michigan, há um cubano de 67 anos que foi infectado por um brasileiro de 29 no centro de detenção de Essex, em Nova Jersey. 

Após as notificações, o juiz John E. Jones, de Nova Jersey, decidiu soltar 22 pessoas que apresentavam condições de risco. "Agora parece que se materializaram nossos piores medos sobre a expansão da covid-19", escreveu o magistrado. 

"Não podemos permitir que pessoas com um alto risco de complicações severas tenham que sofrer com a falta de ação do ICE", destacou o juiz, que na semana passada já havia libertado 11 imigrantes.

As organizações de direitos humanos pediam há semanas ao ICE a libertação de todos eles.

"Lamentavelmente sabíamos que um foco (de covid-19) em um centro de detenção do ICE era inevitável, por isto insistimos na libertação imediata de todos os detidos nas últimas semanas", disse à AFP a Immigrant Alliance for Justice and Equity, organização com sede no Mississipi

A organização afirma que o ICE "não é capaz de oferecer cuidados aos detidos, cujos delitos migratórios estão se transformando em penas de morte". 

O ICE informou que sete de seus funcionários que trabalham em centros de detenção foram infectados pelo novo coronavírus, assim como outros 48 que não atuam na área. 

Recorde de mortes

Os Estados Unidos registraram 1.939 mortes pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo boletim da Universidade Johns Hopkins divulgado na noite de terça-feira, 7. Este número diário de óbitos é o mais elevado para um país em todo o planeta desde o início da pandemia, e coloca os EUA com 12.722 mortes no total, atrás apenas da Itália (17.127 mortos) e da Espanha (13.798).

Os EUA respondem ainda por mais de um quarto dos casos declarados oficialmente de covid-19 em todo o mundo: 396.223, sendo 29.609 apenas no último dia, segundo números atualizados da Johns Hopkins.

As autoridades estimam que 100 e 240 mil pessoas poderão morrer de covid-19 no país, mesmo se observados os protocolos de distanciamento social. / AFP

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