Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

Serviço penitenciário russo vai transferir Alexei Navalni para hospital

Opositor do Kremlin iniciou greve de fome em 31 de março como forma de protesto por supostamente ter atendimento médico proibido pelo governo russo; decisão das autoridades veio após pressão dos EUA e da UE

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2021 | 08h00

MOSCOU - O serviço penitenciário da Rússia decidiu nesta segunda-feira, 19, transferir para um hospital para presos o opositor russo Alexei Navalni, que está em greve de fome há três semanas, ao mesmo tempo que afirmou considerar o estado de saúde do detento "satisfatório".

"Uma comissão de médicos (...) decidiu pela transferência de A. Navalni para uma unidade hospitalar para os condenados que fica no complexo da colônia penitenciária Nº 3", afirmou o serviço penitenciário da região de Vladimir em um comunicado.

"O estado de saúde de Navalni é considerado satisfatório atualmente. Ele é examinado diariamente por um médico terapeuta", completa o texto.

Também de acordo com o serviço penitenciário, "com o consentimento do paciente, foi prescrita uma terapia de vitaminas".

O estado de saúde do opositor, que segundo os seus partidários corre o risco de graves problemas cardíacos e renais que podem provocar a morte, gera grande preocupação porque ele sobreviveu há menos de um ano a um envenenamento por uma substância neurotóxica.

Navalni iniciou a greve de fome em 31 de março para protestar contra as más condições de sua detenção. Ele acusou a administração penitenciária de impedir o acesso de um médico e de remédios, apesar de sofrer uma dupla hérnia de disco, segundo os seus advogados.

Os médicos de Navalni afirmaram no domingo, 18, que foram impedidos de visitar o opositor do Kremlin.

Ele também afirmou que foi ameaçado de alimentação à força, opção a que as autoridades russas podem recorrer caso um preso se recuse a aceitar as refeições.

A União Europeia (UE) se declarou "profundamente preocupada" com a saúde de Navalni. Os chanceleres do bloco iniciaram nesta segunda-feira uma reunião por videoconferência para examinar o caso do opositor.

O governo dos Estados Unidos advertiu no domingo que Moscou enfrentará "consequências" em caso de morte de Navalni.

O opositor, que retornou em janeiro ao país, depois de cinco meses de convalescença na Alemanha devido ao envenenamento que atribui ao Kremlin, foi detido imediatamente e condenado a dois anos e meio de prisão por uma antiga acusação de fraude, um processo que Navalni denuncia como politicamente motivado.

O ministério do Interior da Rússia advertiu nesta segunda-feira contra qualquer participação nas manifestações não autorizadas de apoio a Navalni, previstas para quarta-feira, 21.

"As unidades do ministério do Interior e outras forças de segurança não permitirão uma desestabilização da situação e adotarão todas as medidas necessárias para manter a ordem", afirmou o ministério do Interior, em um comunicado./ AFP

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