Serviço secreto não participou de ataque a Bhutto, diz Musharraf

O presidente do Paquistão, PervezMusharraf, rejeitou qualquer insinuação de que os serviços desegurança estivessem por trás do assassinato de Benazir Bhuttoe disse na quinta-feira que ela já tinha sido alertada para asameaças de militantes islamitas. Musharraf disse a repórteres que as autoridades não foramresponsáveis pela falha de segurança que levou à morte da líderda oposição e ex-premiê num ataque a tiros e a bomba emRawalpindi no dia 27 de dezembro. "Nos últimos três meses, houve 19 ataques suicidas a bomba,a maioria contra os militares, contra a inteligência", disse opresidente. "Se os mesmos militares e a mesma inteligênciaestão usando as mesmas pessoas que os estão atacando, é umapiada." Musharraf disse que um militante ligado à Al Qaeda e queopera na fronteira com o Afeganistão, Baitullah Mehsud, estápor trás dos ataques a bomba recentes e do ataque contraBenazir. A ex-premiê vinha falando da necessidade de combater amilitância. Muitos paquistaneses acreditam no envolvimento de outrosinimigos de Benazir, talvez em setores das agências desegurança. "Nenhuma organização de inteligência no Paquistão,creio eu, é capaz de doutrinar um homem a explodir a si mesmo",afirmou o presidente. O assassinato de Bhutto, antiga rival de Musharraf, e aviolência que se seguiu pelos protestos contra sua mortesuscitaram dúvidas sobre a estabilidade do país e sua transiçãopara o jugo democrático. O Paquistão é governado desde 1999 porMusharraf, que assumiu o poder depois de um golpe de Estado. Opaís também possui armas nucleares. "Nós sabíamos, as agências de inteligência sabiam, quehavia uma ameaça, e dissemos a ela que não fosse", disse opresidente, referindo-se a um incidente em novembro quandoBenazir foi colocada por um curto período em prisão domiciliarpara não participar de um ato num parque. "Desta vez, eladecidiu ir e foi ... Foi por vontade própria, ignorando aameaça", disse ele. Segundo Musharraf, a segurança em torno de Benazir estavamuito reforçada, com mais de mil policiais em atividade. Aex-premiê foi morta ao se levantar pelo teto solar de seu carroblindado para acenar a simpatizantes, na saída de um comício.Um homem-bomba atirou contra ela e detonou os explosivos quecarregava, matando mais cerca de 20 pessoas. Ninguém que estavadentro do carro com Benazir ficou ferido. "A falha não foi do governo", disse Musharraf. "De quem é aculpa de ela sair do veículo?"

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