Serviço secreto russo confirma suspeita de espionagem

Um dia após a veiculação de uma fita de vídeo em que diplomatas britânicos aparecem manipulando um sofisticado equipamento de espionagem em uma praça de Moscou, a principal agência de inteligência russa confirmou ter identificado atividades de serviços clandestinos britânicos no País. O Serviço Federal de Segurança, sucessor da extinta KGB, também acusou os britânicos de encaminhar fundos à organizações não-governamentais (ONGs), incluindo uma das mais conhecidas entidades de defesa de direitos humanos da Rússia. Embora não seja ilegal, essas doações alimentam a suspeita de que ONGs que promovem a democracia e os direitos humanos estariam tentando minar a credibilidade do governo. O pronunciamento do porta-voz da agência, Sergei Ignatchenko, vem a público um dia depois que a rede de TV estatal Rossiya divulgou trechos de uma fita em que quatro funcionários da embaixada britânica aparecem utilizando um equipamento eletrônico que recebia informações de inteligência de agentes russos. De acordo com a rede de TV e as autoridades, o equipamento estaria escondido dentro de uma pedra de uma praça de Moscou.Segundo a agência de notícias RIA-Novosti, Ignatchenko disse que a situação poderia ser resolvida em "nível político", em uma indicação de que o governo russo poderá expulsar os agentes do país. Oficiais da embaixada britânica em Moscou e da chancelaria em Londres disseram que não comentariam o caso.A chefe de uma ONG que supostamente teria recebido ajuda britânica, Lyudmila Alexeyeva, rebateu as acusações classificando-as como uma campanha contra as organizações não-governamentais críticas ao Kremlin. "Isso é uma tentativa de manchar a imagem de um grupo reconhecido internacionalmente com alegações de envolvimento em atividades de espionagem. Eles estão preparando a opinião pública para nos proibir de funcionar", disse Alexeyeva à Associated Press, referindo-se a uma lei assinada no início do mês pelo presidente Vladimir Putin. A lei impõe restrições a grupos não-governamentais. De acordo com a reportagem que revelou o esquema de espionagem, os diplomatas copiavam as informações contidas no equipamento escondido dentro da pedra para computadores de bolso, em um processo que poderia ser feito a uma distância de mais de 20 metros e que poderia levar apenas dois segundos.A rede de TV também mostrou cópias de documentos que provariam as doações feitas pelos britânicos. Em um deles, uma transferência de US$ 41 mil teria sido feita em nome do "Moscow Helsinki Group", um dos mais persistentes críticos do governo Putin.De acordo com o jornal The New York Times, um cidadão russo foi preso acusado de cumplicidade com os britânicos. Ainda segundo o NYT, o escândalo é o mais sério incidente entre russos e o ocidente nos últimos anos. O diário informa que Ignatchenko acusa os britânicos de violar um acordo de 1994 que determinou o fim das atividades de espionagem na Rússia. "Na verdade", Ignatchenko teria dito, "nós fomos ludibriados".

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