Santi Donaire / EFE
Santi Donaire / EFE

Serviço secreto venezuelano detém prefeito de Caracas

Ledezma é um dos principais líderes da oposição e foi acusado pelo chavismo de tramar um golpe contra o presidente Nicolás Maduro

O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2015 | 20h24

(Atualizada às 21h19) CARACAS -  O prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, foi preso nesta quarta-feira, 19, em seu escritório, em Caracas, por agentes do Serviço Bolivariano de Informação (Sebin), o serviço secreto chavista. O escritório do dirigente opositor foi cercado por agentes do Sebin no fim da tarde. Segundo dirigentes da oposição, ele foi agredido. A notícia desencadeou protestos na capital do país. 

De acordo com a mulher de Ledezma, Mitzy Capriles, cerca de 80 homens levaram o prefeito à sede do Sebin, na Praça Venezuela, no centro de Caracas. “Não se sabe por que ele foi preso”, disse Mitzy à Rádio Unión.

Antes da prisão, o Ledezma denunciou em sua conta no Twitter que seu escritório estava cercado. “Meu escritório está prestes a ser invadido por agentes do regime”, escreveu.

O advogado do prefeito metropolitano, Omar Estácio, disse que não foi apresentado mandado de prisão durante a operação. “Essa medida é, sob todos os aspectos, arbitrária”, disse ao jornal El Nacional. “Com todo o aparato que montaram, não havia uma ordem judicial.”

Ledezma, a ex-deputada Maria Corina Machado e o deputado Julio Borges, foram acusados na semana passada pelo chavismo de tramar um golpe de Estado contra o presidente Nicolás Maduro. 

Ontem, pela manhã, o deputado chavista Julio Chávez, disse em discurso na Assembleia Nacional que os três opositores deveriam “fazer companhia” ao opositor Leopoldo López no presídio de Ramo Verde, detido há um ano, acusado de incitar protestos contra Maduro. 

López, Corina e Ledezma são os idealizadores do movimento “A Saída”, que precipitou os protestos contra o governo no ano passado. Nos últimos anos, Ledezma perdeu parte de seus poderes no cargo após o chavismo transferir boa parte de suas atribuições e orçamento para um órgão sob direção do PSUV.

O secretário executivo da coalizão antichavista Mesa de Unidade Democrática (MUD), Jesús “Chuo” Torrealba, confirmou a prisão. “O escritório não foi apenas invadido. Ele foi golpeado e detido”, disse. “Já vínhamos advertindo que isso poderia ocorrer. O governo não encontra medidas para enfrentar a crise. O único recurso de que dispõem é a violência. ”

Maria Corina criticou a prisão de Ledezma. “É um ato desesperado contra um grande democrata”, disse ela. 

O deputado opositor Ismael Garcia, que testemunhou a prisão, afirmou em sua conta no Twitter que Ledezma foi arrastado “como um cachorro” pelos agentes do Sebin ao deixar seu escritório. / EFE e AP

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