Serviços secretos europeus apontam para Bin Laden

Os serviços secretos dos países europeus estão mobilizados para ajudar seus colegas da CIA e do FBI dos Estados Unidos a identificar e localizar os principais responsáveis pela série de atentados quase simultâneos praticados nos EUA. Essa cooperação constitui uma verdadeira caça internacional aos terroristas. Todos eles, mas principalmente os serviços especiais da DGSE e a DST francesas, serviço de espionagem e contra espionagem, conhecidos como especialistas do mundo árabe, desde o início privilegiaram essa pista e não parecem ter dúvidas quanto à participação do milionário saudita Oussuma Bin Laden. Esse antigo aliado dos Estados Unidos quando da guerra da URSS no Afeganistão, hoje hóspede do regime afegão e inimigo número um dos norte-americanos, foi o primeiro nome citado por agentes franceses que consideram muito improvável a pista alternativa de grupos radicais da extrema direita norte-americana. Os franceses estão tão certos de que essa é a boa pista que ainda ontem, em Argel, o governo da França foi fortemente criticado por sua pressa em designar "os árabes e muçulmanos" como os principais responsáveis pelos atentado, uma tese desenvolvida insistentemente pelos meios de comunicação e especialistas dos serviços secretos franceses, alguns antigos militares graduados, hoje reconvertidos em consultores. Se existe uma forte solidariedade européia com os EUA na busca dos responsáveis pelos atentados, isso não quer dizer que esses países poderão assinar um "cheque em branco" para o presidente George Bush, quando chegar a hora das represálias. Por maior que seja a solidariedade atual, esses países lembram certas particularidades de suas políticas. Também os serviços secretos de outros de países como os da Grã Bretanha e Israel, o Mossad, privilegiam a mesma pista árabe. As relações de Bin Laden são conhecidas com três países muçulmanos, além do Afeganistão. O Paquistão, os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, paradoxalmente todos mantendo boas relações com Washington. As mesmas fontes indicam a suspensão recente de uma investigação na Arábia Saudita sobre as relações entre Bin Laden e ricas famílias sauditas, no momento em que as investigações estavam se aproximando de príncipes da família no poder. O apoio dessas ricas famílias sauditas a Laden se explica pelo fato de ambos adotarem a mesma doutrina, desde os bancos escolares no seu país, o arabismo. Segundo Antoine Basbous, presidente do Observatório do Mundo Árabe, trata-se de uma ambigüidade. Enquanto os Estados Unidos apoiam politicamente a Arábia Saudita no golfo em razão de sua política liberal do petróleo, nas escolas sauditas o ensino do arabismo é obrigatório, mas constitui uma doutrina muito hostil aos Estados Unidos e Israel.

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