Servidores palestinos invadem parlamento

Dezenas de servidores civis do governo palestino invadiram o parlamento nesta quarta-feira para exigir o pagamento de seus salários atrasados. Os manifestantes atiraram garrafas d´água contra os legisladores e forçaram o porta-voz do parlamento a abandonar o prédio. Esta segunda investida contra o parlamento em apenas semana, paralelamente ao tiroteio na Faixa de Gaza que deixou um militante do Hamas morto, levanta dúvidas sobre a capacidade dos líderes palestinos em acalmar os ânimos entre os grupos rivais Fatah e Hamas. Na segunda-feira, membros da Fatah invadiram a sede do legislativo e colocaram fogo em algumas das suas instalações após uma investida do Hamas contra ativistas da Fatah na Faixa de Gaza.Em Ramallah, centenas de servidores públicos se manifestaram do lado de fora do parlamento, entoando slogans contra o governo e exigindo o pagamento de seus salários. O clima ficou tenso quando algumas dezenas de manifestantes partiram para a ação e invadiram o prédio. Garrafas d´água, caixas de papelão e pequenos objetos foram atirados contra os deputados palestinos. "Nós estamos famintos! Haniye, vá para casa!", gritavam os manifestantes, referindo-se ao primeiro-ministro palestino, Ismael Haniye. O porta-voz do parlamento, Abdel Aziz Duaik, um funcionário de alto escalão do Hamas, deixou o parlamento com um forte esquema de segurança poucos minutos antes da entrada dos manifestantes. "Eu não volto até eles saírem", disse Duaik.Com a ordem restaurada 45 minutos após a invasão, e a sessão do parlamento foi reaberta.A maioria dos manifestantes eram ativistas da Fatah. Após o incidente, algumas centenas de militantes do Hamas saíram às ruas para protestar contra a invasão do prédio governamental.Com a vitória do Hamas nas eleições parlamentares de janeiro, as principais fontes de recursos do governo palestino foram canceladas. Estados Unidos, União Européia e Israel consideram o Hamas uma organização terrorista. O grupo, responsável pela morte de centenas de israelenses em ataques terroristas, prega a destruição do Estado Judeu. As tensões na APAs tensões entre o grupo radical islâmico Hamas e a facção laica Fatah não param de crescer desde a derrota da Fatah nas eleições palestinas de janeiro. A disputa de poder já deixou 22 pessoas mortas.Nas últimas semanas, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, da Fatah, tem tentado convencer o Hamas a aceitar uma proposta que reconhece implicitamente o direito de existência de Israel. Abbas, um moderado, acredita que o plano é uma maneira de reiniciar as conversas de paz com Israel, levantando as sanções internacionais contra a AP. Sem os aportes financeiros fornecidos pelos Estados Unidos, União Européia e Israel, a AP mergulhou em uma crise financeira sem precedentes, pois a maioria dos funcionários do governo - ou um terço da população palestina - não recebem seus salários há vários meses.O Hamas, cuja cartilha prega a destruição de Israel, não aceita o pedido das nações doadoras para que renuncie a violência e reconheça o Estado Judeu. Por isso, o grupo agora depende das doações feitas por governos islâmicos.Horas após a invasão, o ministro de Relações Exteriores da AP, Mahmoud Zahar, foi parado por agentes da alfândega palestina ao tentar entrar na Faixa de Gaza com US$ 20 milhões em sua bagagem. Segundo Zahar, o dinheiro foi arrecado durante sua passagem por países islâmicos, que fizeram as doações com o objetivo de ajudar a sanar a delicada situação financeira da AP.Matéria ampliada às 16h18 de 14/06/2006

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