Servidores portugueses fazem maior greve dos últimos anos

Mais de 500 mil servidores públicos de Portugal aderiram à paralisação nacional, a maior dos últimos 10 anos no país, convocada pelos sindicatos UGT e CGTP, em protesto contra alterações na legislação trabalhista e às medidas de austeridade fiscal do governo. "Nós estimamos que cerca de 80% do funcionalismo público aderiram à greve", afirmou Paulo Trindade, um dos coordenadores da paralisação. "Todas as áreas da administração foram afetadas", disse. A maioria das escolas cancelou as aulas, enquanto os serviços médicos e de coleta de lixo no país foram severamente afetados. As repartições públicas e os tribunais de Justiça não funcionaram, de acordo com o jornal Publico. Os sindicatos, que representam cerca de 700 mil servidores públicos, se opõem à nova legislação trabalhista que, segundo eles, altera direitos adquiridos pelos trabalhadores nas reformas que se seguiram ao fim de quatro décadas do regime ditatorial no país, em 1974.Tentativas de governos anteriores para alterar a lei trabalhista fracassaram após a acirrada resistência dos sindicatos. Entre as medidas propostas na nova legislação estão a flexibilização dos horários de trabalho, a possibilidade de se firmar contratos de trabalho de curto prazo, implementação de períodos experimentais de trabalho e justificativas mais amplas para demissão de trabalhadores. O governo argumenta que a nova legislação foi elaborada para modernizar as relações no mercado de trabalho, melhorando a produtividade e atraindo mais investimentos estrangeiros para o país. Além do protesto contra as mudanças, os sindicatos reivindicam aumentos salariais de 5% a 5,5% para o próximo ano, mas o governo oferece reajuste de apenas 3,6% e recusa-se a negociar esse percentual. As informações são da Dow Jones.

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