Servidores públicos fazem greve para pressionar Sarkozy

Trabalhadores do setor público francês fazem greve hoje em protesto contra cortes de empregos e planos para reformar o sistema de pensões, itens centrais na agenda do presidente do país, Nicolas Sarkozy, para a segunda metade de seu mandato. É mais um desafio para o líder francês que, no domingo, sofreu uma dura derrota em eleições regionais e, um dia depois, promoveu mudanças em seu gabinete.

AE, Agencia Estado

23 de março de 2010 | 11h36

Os sindicatos protestam também pelo plano do governo de substituir apenas metade dos funcionários públicos que se aposentarem. A principal central sindical francesa, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), afirmou que estavam planejadas 180 marchas de protesto em cidades de todo o país.

O líder da CGT, Bernard Thibault, pediu que Sarkozy altere sua política econômica e com urgência combata o desemprego, atualmente em 10%, e também a piora das condições de vida da população. "A questão é seguir em nova direção nas políticas econômicas e sociais", disse Thibault.

Vinte por cento dos professores de escolas primárias e de ensino médio cruzaram os braços, de acordo com o Ministério da Educação. Doze por cento dos trabalhadores dos correios participavam da paralisação, segundo o serviço postal. Também havia paralisações planejadas na France Telecom.

Os trens metropolitanos de Paris enfrentavam alguns problemas, com apenas a metade dos vagões circulando nas linhas suburbanas. A autoridade ferroviária estatal SNCF informou que quase dois terços dos trens de alta velocidade TGV estavam circulando.

Mensagem

Líderes sindicais não esperam uma grande demonstração de força, mas ressaltaram que a greve busca levar os temas trabalhistas novamente ao topo da agenda política. "Nós precisamos enviar uma mensagem forte ao governo", notou François Chereque, dirigente do sindicato CFDT. Os trabalhadores franceses se sentem cada vez mais "abandonados" pelo governo de Sarkozy, disse. "O governo precisa mudar seus métodos."

A reforma ministerial anunciada ontem por Sarkozy atingiu o Ministério do Trabalho. O ministro Xavier Darcos perdeu seu cargo, que passará a ser ocupado por Éric Woerth, até então ministro do Orçamento. O primeiro-ministro, François Fillon, foi mantido no posto.

Muitos ativistas dos sindicatos se mobilizavam contra o plano de Sarkozy para elevar a idade legal para aposentadoria, provavelmente para 62 anos. A idade oficial para a aposentadoria no país é hoje de 60 anos, mas varia conforme a categoria do trabalhador. O governo argumenta que elevar a idade para a aposentadoria é a única forma de manter o sistema de generosos benefícios em funcionamento.

Falar sobre aumentar a idade para a aposentadoria é um tabu na França, onde o direito da aposentadoria aos 60 anos está garantido desde 1982, um legado do governo do presidente socialista François Mitterrand. As informações são da Dow Jones.

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