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Servo-bósnios condenados por estupros na Guerra da Bósnia

Num veredicto que aponta pela primeira vez o estupro como crime contra a humanidade, o Tribunal Penal Internacional para crimes de guerra na ex-Iugoslávia condenou hoje três servo-bósnios a penas de prisão que variam de 12 anos a 28 anos. Os crimes cometidos por Dragoljub Kunarac, de 40 anos, Radomir Kovac, de 39, e Zuran Vukovic, também de 39, ocorreram entre 1992 e 1993 - durante o conflito da Bósnia-Herzegovina. As investigações centralizaram-se na cidade de Focus, invadida pelos sérvios. Seus habitantes, na grande maioria muçulmanos, foram confinados em campos de concentração diferenciados - os homens de um lado; as mulheres e crianças, de outro.Kunarac foi sentenciado a 28 anos de prisão, Kovac, a 20 e Vukovic, a 12. Os três alegaram inocência."Você abusou e arruinou mulheres muçulmanas por causa da etnia delas", disse a juíza Florence Mumba, apontando para Kunarac. Ele foi acusado pela juíza de cometer contra suas vítimas as "mais hediondas violações da dignidade e dos direitos humanos".Kovac foi condenado por estupro e escravização; e Vikovic, por estupro e tortura."Os três réus não eram soldados comuns, cuja moral pudesse ter sido depurtada pelos horrores da guerra", ressaltou a juíza Florence Mumba. "Eles tiraram vantagem de uma negra atmosfera de desumanidades, do que se acreditava serem inimigos."Mulheres e meninas, algumas com 12 anos, eram confinadas em uma escola, uma praça de esportes, um motel e em casas. Nesses locais, sofriam todo tipo de abusos sexuais. Eram também entregues a soldados sérvios."O estupro era usado por membros do Exército servo-bósnio como instrumento de terror", ressaltou a juíza. Os advogados da defesa contestaram as acusações contra os três réus, argumentando que "não houve nenhuma evidência capaz de provar os crimes imputados a eles".Durante os 11 meses do julgamento, várias vítimas apresentaram-se como testemunhas. Foram identificadas apenas por números e tiveram o rosto protegido por telas especiais durante os interrogatórios."Acho que jamais esquecerei", disse uma jovem de 15 anos. "É ainda uma dor insuportável..."Algumas das vítimas ainda sofrem de graves problemas ginecológicos. Outras ficaram grávidas e deram à luz.Uma comissão da União Européia que investigou as violações de direitos humanos na Bósnia estima em 20 mil o total de vítimas de estupro de ambos os lados - os muçulmanos também são acusados de atrocidades, embora em menor número.A Anistia Internacional, com sede em Londres, aplaudiu o veredicto do TPI. Mas lembrou que quatro outros acusados de estupros em Focus continuam foragidos.

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