AFP PHOTO / Daniel LEAL-OLIVAS
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Terrorista mata ao menos quatro em ataque ao Parlamento britânico

Homem atropelou diversas pessoas pela ponte de Westminster e depois esfaqueou um policial na entrada da sede do Legislativo; 40 pessoas ficaram feridas

Célia Froufe, CORRESPONDENTE / LONDRES e Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2017 | 12h02
Atualizado 23 de março de 2017 | 09h23

Londres voltou a enfrentar a tragédia do terrorismo nesta quarta-feira, 22. Pelo menos 4 pessoas foram mortas e 40 ficaram feridas em um atentado cometido na área externa do Parlamento do Reino Unido, o coração do poder britânico, e da Ponte de Westminster, um dos pontos turísticos mais visitados do mundo.

O ataque ocorreu às 14h40 (11h40 em Brasília) e marcou o retorno da violência a uma grande capital europeia, exato um ano após os atentados de Bruxelas. A autoria do ataque ainda está sendo investigada. O atentado se desenvolveu em duas fases. Primeiro, o motorista de um carro SUV acelerou pela Ponte de Westminster, no centro de Londres, e atropelou pedestres, até mesmo na calçada. 

A trajetória do veículo só foi interrompida centenas de metros à frente, quando o carro bateu nas grades do Parlamento.

Após a batida, o agressor desceu e se dirigiu ao posto de segurança do Old Palace Yard, o principal acesso à sede do Legislativo, utilizada por autoridades. Armado com uma faca, lançou-se contra dois policiais, atingindo um deles, que morreu minutos mais tarde. O terrorista tentou, então, invadir o Parlamento, mas foi abatido a tiros por outros policiais.

Na ponte, as imagens gravadas por cinegrafistas amadores mostraram corpos estirados pelo chão e grupos de pessoas tentando prestar atendimento, antes da chegada das equipes de socorro. 

Membro de um grupo de 36 estudantes franceses, 3 dos quais feridos com gravidade pelo automóvel, Johan testemunhou ao jornal Ouest France. "Havia uma barreira que nos separava da rua, mas ela cedeu e o carro acelerou contra os alunos", contou. "Eu estava ao lado. Muita gente chorou, passou mal. Eu ouvi a seguir dois tiros e vi três ou quatro pessoas feridas atrás de mim."

Tom McTague, jornalista do site Politico que trabalhava no momento do ataque, descreveu os acontecimentos. "A multidão começou a correr e a gritar, e um agressor passou a entrada correndo, apunhalou um policial e voltou a correr, mas foi baleado duas vezes pela polícia".  

Uma testemunha da ação do agressor, Rick Longley, disse à Associated Press: “Um homem passou ao lado do meu ombro direito com uma faca e começou a enfiá-la no policial. Nunca vi nada assim.” As autoridades anunciaram que o policial morto pelo agressor era Keith Palmer, de 48 anos. 

Um casal que também estava no local do ataque contou ter visto o momento em que o terrorista foi baleado. Jayne Wilkinson e David Turner estavam no jardim do Parlamento quando viram o homem segurando a faca e correndo. Outros policiais “estavam gritando” para que ele parasse. Em seguida, Jayne e David ouviram três disparos e viram o homem caído no chão. 

O ataque provocou o fechamento da região em torno do Parlamento, bloqueada pela polícia. No momento da ação, o tema em discussão na sessão da Câmara dos Comuns era justamente o terrorismo. A sessão legislativa foi suspensa e os deputados ficaram confinados no interior do prédio. 

Pouco antes do atentado, a primeira-ministra, Theresa May, havia participado de uma sessão semanal de perguntas e respostas no Parlamento. O tema principal da apresentação era educação. Ela foi retirada em segurança e levada para um local protegido. David Lidington, líder do Partido Conservador na Câmara dos Comuns, informou no plenário que um homem armado havia apunhalado um policial em uma das entradas do Parlamento. 

Medo. As ruas ao redor do prédio ficaram completamente vazias. Cerca de 500 pessoas que visitavam o Parlamento no momento do ataque chegaram a esperar autorização da polícia até a noite para deixar as dependências do prédio. Os visitantes ficaram concentrados numa das áreas mais antigas do prédio, chamada de Westminster Hall e se deslocaram aos poucos para a Abadia de Westminster. No local, a reportagem testemunhou incerteza em alguns momentos, mas em geral os visitantes mantiveram a calma. Havia um vasto contingente da polícia antiterrorismo e helicópteros sobrevoavam as instalações do Parlamento e da Abadia. 

A premiê convocou uma reunião de crise na qual seriam decididas as medidas para enfrentar a ameaça terrorista. O Ministério do Interior britânico confirmou que reforçaria o policiamento na cidade, ampliando o número de policiais armados – 2,8 mil em Londres, ou cerca de 10% do efetivo da capital. 

“O nível de alerta para o Reino Unido foi definido como severo por algum tempo e isso não vai mudar”, informou a premiê em um pronunciamento, elogiando a ação da polícia e anunciando que o Parlamento funcionará normalmente hoje – uma forma de responder ao atentado demonstrando que o terrorismo não interromperá a vida no Reino Unido. 

“O local desse ataque não foi um acidente. Os terroristas optaram por atacar o coração de nossa capital, onde pessoas de todas as nacionalidades, religiões e culturas se reúnem para celebrar os valores da liberdade, da democracia e da liberdade de expressão”, afirmou May. 

Os policiais solicitaram às possíveis testemunhas que entregassem fotos e vídeos que tenham registrado antes, durante e depois da tragédia às autoridades. Dentro da catedral, um padre que estava no grupo monitorado pela polícia fez uma oração em homenagem às vítimas.

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