Ivan Alvarado/REUTERS
Ivan Alvarado/REUTERS

Sete fatos para entender o Chile e sua situação política

Dos protestos que eclodiram no ano passado ao plebiscito sobre nova constituição, país vive ebulição social

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2020 | 06h00

A crise social que eclodiu há um ano no Chile e deixou cerca de trinta mortos impulsionou um plebiscito que decidirá, neste domingo, 25,  se a Constituição do país foi ou não herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973- 1990).

Em sete pontos, entenda a ebulição política que tomou o país:

Confrontos violentos

Em 18 de outubro de 2019, a capital do Chile, Santiago, foi cenário de confrontos violentos entre forças de segurança e manifestantes que protestavam contra o aumento do preço da passagem do metrô.

O presidente conservador, Sebastián Piñera, declarou então estado de emergência na capital, atribuindo a um militar a responsabilidade pela segurança pública.

No dia seguinte, 19 de outubro, milhares de pessoas marcharam em Santiago contra a desigualdade e novos confrontos eclodiram apesar da suspensão do aumento do preço da passagem do metrô.

Pela primeira vez desde o fim da ditadura de Pinochet, milhares de soldados foram posicionados nas ruas e um toque de recolher noturno foi decretado em Santiago.

O Chile acorda

Conflitos e saques atingiram Santiago e o estado de emergência se estendeu a várias regiões.

O fato de o presidente ter pedido "perdão" e anunciado algumas reformas sociais não impediu uma greve geral, que exigia "o retorno dos militares ao quartel" e respostas à pior crise social em 30 anos.

Em 25 de outubro, 1,2 milhão de chilenos protestaram em Santiago. Nos dias seguintes, o toque de recolher foi suspenso, o estado de emergência foi anulado e um terço dos ministros foi  substituído.

Em novembro, o Chile reununciou ao título de anfitrião da cúpula econômica do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico e da COP-25 sobre mudança climática.

Em seguida, o Banco Central injetou, duas vezes, bilhões de dólares para conter a queda do peso.

Referendo

No dia 15 de novembro, um acordo histórico entre os partidos políticos previu um plebiscito para revisão da Constituição herdada da ditadura, uma das principais reivindicações dos manifestantes.

A polícia suspendeu o uso de pelotas contra manifestantes, que haviam causado centenas de ferimentos graves nos olhos.

O governo pediu calma após o aumento da violência.

Concessões sociais

No início de dezembro, o governo apresentou um plano de US$ 5,5 bilhões. Piñera anunciou um bônus especial para 1,3 milhão de famílias. O Congresso aprovou um aumento na pensão mínima por velhice.

Em 13 de dezembro, a ONU denunciou "múltiplas violações dos direitos humanos" por parte da polícia chilena.

Em janeiro de 2020, o presidente anunciou uma reforma do sistema de saúde e, em seguida, uma contribuição dos empregadores para a aposentadoria, que ainda está sendo discutida no Congresso.

Novos confrontos

No final de janeiro, surtos de violência deixaram quatro mortos após um período de calmaria, pontuado por manifestações todas as sextas-feiras em Santiago, às vezes com confrontos. O presidente anunciou uma reforma da polícia.

Plebiscito adiado devido ao coronavírus

Em 18 de março, o Chile declarou estado de emergência em face da pandemia de covid-19, o que levou a um hiato nas manifestações.

O plebiscito sobre a Constituição, marcado para 26 de abril, foi adiado para 25 de outubro.

Em julho, os deputados contrariaram o governo ao aprovar uma reforma que permite a retirada antecipada de 10% dos fundos de pensão privados, para fazer frente à crise provocada pela pandemia.

Em 28 de julho, o presidente fez a quinta reestruturação de seu gabinete.

Retorno de manifestações

As manifestações recomeçaram.

Em 2 de outubro, um jovem de 16 anos caiu de uma ponte após ser empurrado por um policial, que chamou o caso de "acidente" e foi preso.

Em 18 de outubro, dezenas de milhares de chilenos fizeram uma manifestação para marcar o primeiro aniversário do protesto, entrando em confronto com a polícia e incendiando duas igrejas.  /AFP

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