Sete palestinos e um soldado israelense mortos em Gaza

Soldados israelenses apoiados por tanques e helicópteros de guerra mataram sete palestinos nesta quarta-feira em uma das maiores ofensivas contra militantes desde a reentrada em Gaza há quatro meses. Um militar israelense também foi morto na operação em Beit Hanoun, cidade do norte de Gaza. Segundo o Exército, a localidade é uma das principais bases de lançamento de foguetes contra o território israelense. Segundo fontes israelenses, a ação pode demorar dias, e não representa uma ampliação da grande campanha israelense em Gaza. Ainda assim, canhões de infantaria, tanques e aeronaves de combate foram utilizados para atacar Beit Hanoun, numa operação iniciada após o amanhecer. Ao menos seis dos palestinos mortos eram militantes, e a identidade do sétimo não foi confirmada. De acordo com fontes hospitalares, cerca de 40 pessoas ficaram feridas, a maioria atiradores. Mas uma mulher e um garoto de 11 anos também se feriram, disseram as fontes. Segundo o diretor do hospital de Beit Hanoun, todos os suprimentos de sangue foram usados para tratar dos feridos. Após retirar todos os seus assentamentos de Gaza em 2005, Israel voltou a invadir o território, localizado na costa mediterrânea, para tentar resgatar o soldado Gilad Shalit, capturado em junho por militantes do Hamas - partido que controlar o governo palestino desde o início do ano. O militar continua desaparecido, mas Israel ampliou os objetivos da operação em Gaza para acabar com os ataques com foguetes contra o território israelense e impedir o contrabando de armas. Apesar da ofensiva, oito foguetes caseiros lançados a partir de Gaza aterrissaram em Israel nesta quarta-feira, e braço militar do Hamas anunciou que não tem intenção de cancelar os ataques. Maior ofensiva O Exército descreveu a operação desta quarta-feira como uma das maiores ofensivas em Gaza desde o início da atual campanha, em junho. Segunda uma porta-voz militar, Beit Hanoun foi escolhida como alvo porque 300 dos 800 foguetes lançados desde o início do ano contra Israel a partir de Gaza partiram da cidade. Ela descreveu a operação como pontual e disse que ela não será o ponto de partida para a ampliação da atual campanha militar em Gaza. A declaração coincide com uma definição do Gabinete de Segurança israelense, que rejeitou nesta quarta-feira uma proposta para uma ampliação da escalada em Gaza. Ainda assim, na segunda-feira, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, havia dito à Comissão de Assuntos Internacionais e de Defessa do Parlamento que a incursão militar seria ampliada. Mas uma fonte do governo israelense, falando em condição de anonimato, disse nesta quarta-feira que o Gabinete de Segurança optou por uma via mais moderada, como a proposta pelo ministro da Defesa, Amir Peretz. Resposta palestina Diante da ofensiva, o governo palestino liderado pelo primeiro-ministro e líder do Hamas, Ismail Haniyeh, reuniu-se com caráter de urgência para analisar a situação no território. Após a reunião, o Hamas assegurou que as operações israelenses no norte de Gaza terão "influência negativa" nas negociações - mediadas pelo Egito - para conseguir a libertação do soldado Shalit em troca de presos palestinos. Uma delegação do Hamas - um dos três grupos que assumiu a autoria do seqüestro do militar israelense em junho - chegou ao Cairo na terça-feira para negociar com funcionários egípcios um acordo para libertá-lo. "A libertação do soldado israelense ocorrerá somente depois que o inimigo cumprir as condições fixadas pelos seqüestradores", afirmou Ismail Rudwan, porta-voz do Hamas e membro da delegação, referindo-se às exigências das milícias de que Israel liberte mais de mil presos palestinos. Por outro lado, o braço armado do movimento nacionalista palestino Fatah pediu ao governo liderado pelo Hamas e ao presidente, Mahmoud Abbas, que declarem estado de emergência e que mobilizem um grande número de forças para enfrentar a operação israelense na Faixa de Gaza. O porta-voz do grupo, Abu Qusai, declarou à imprensa que o governo e a presidência "devem trabalhar juntos para repelir a agressão israelense contra o povo palestino". No entanto, advertiu que a milícia denominada "Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa" respeitará os pedidos de Abbas de não disparar foguetes de Gaza contra Israel, mas pediu ao presidente que "redobre seus esforços em nível político para cessar a agressão".

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