Martin Mejia/AP
Martin Mejia/AP

Setor da extrema direita peruana vai continuar sendo um opositor tenaz; leia entrevista

Para analista político peruano, reuniões que Castillo realizou ajudaram a ganhar apoio para sobreviver ao pedido de impeachment, mas oposição não dará trégua

Entrevista com

Fernando Tuesta, analista político e professor da PUC do Peru

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 08h00

O presidente do Peru, Pedro Castillo, escapou de um processo de impeachment, mas não terá um caminho fácil pela frente, acredita o analista político peruano Fernando Tuesta.

A parcela mais radical da direita peruana deve continuar se posicionando ferozmente contra Castillo, à espera de uma segunda oportunidade para tentar destituir o esquerdista. Confira a entrevista completa:

Foi uma surpresa o pedido de impeachment ter sido barrado?

Na verdade havia muita incerteza. Era possível haver os 52 votos (para levar o processo adiante), mas no último domingo um programa de TV opositor ao governo anunciou que publicaria áudios contundentes contra Castillo, não os publicou e foi muito criticado. Com isso, muitos que disseram que votariam pela continuidade do processo voltaram atrás e a votação contra a denúncia para levar ao impeachment era esperada.

Como o presidente conseguiu o apoio necessário?

Castillo realizou uma série de reuniões com líderes de partidos, o que não havia feito desde o começo de seu mandato pessoalmente. Além disso, é preciso lembrar que para aprovar o impeachment, em um segundo momento, seriam necessários 87 votos e isso a oposição não conseguiria. Alguns (congressistas) acreditam que não era o momento de apresentar uma moção.

Como fica o equilíbrio das forças do Executivo e Legislativo?

Castillo tem sido um presidente débil. Não apenas por não ter uma bancada significativa, tem 37 congressistas de 130, mas destes só conta mesmo com o apoio de 20.

Como a oposição deve atuar a partir de agora?

O setor da extrema direita vai continuar sendo um opositor tenaz e, com certeza, vai tentar uma segunda moção de impeachment quando tiver a oportunidade. Desde o primeiro dia, eles disseram que não querem o presidente Castillo.

Novos pedidos de impeachment podem ser apresentados?

Não há prazos, podem ser apresentados em qualquer momento, mas, na verdade, é uma medida totalmente descabida. Essa questão de ‘incapacidade moral permanente’ tinha relação com a capacidade psíquica no século 19 e passou a ser usada de forma desnaturalizada. É  a quinta vez que se usa dessa forma desde 2016. Se Castillo tivesse sido retirado do poder seria o quinto presidente em cinco anos. 

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