EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Setor público da Venezuela trabalhará apenas 2 dias em razão de crise energética

Governo de Nicolás Maduro suspendeu atividades na quarta, quinta e sexta-feira, com exceção de tarefas fundamentais, para reduzir gasto de energia; protestos contra racionamento se intensificam

O Estado de S. Paulo

27 Abril 2016 | 09h41

CARACAS - O governo da Venezuela decretou que o setor público não trabalhará nas quartas, quintas e sextas-feiras, como medida de economia de energia devido à seca que castiga o país, e pediu aos poderes Judicial, Eleitoral e Cidadão que colaborem com essa decisão.

"Nas quartas, quintas e sextas-feiras não haverá trabalho no setor público, com exceção das tarefas fundamentais e necessárias. Além disso, as sextas-feiras não serão laborais para os centros educativos dos níveis inicial, médio e básico", disse o vice-presidente executivo Aristóbulo Istúriz.

O vice-presidente fez esse anúncio no reservatório de Guri, o mais importante do país, cujo nível de água está crítico, e relatou que essa decisão partiu diretamente do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O governo já tinha anunciado no dia 7 que não haveria expediente nas sextas-feiras no setor público para responder à emergência nacional ocasionada pela seca.

Poucos minutos depois do anúncio de Istúriz, Maduro confirmou essa informação através de seu programa de rádio e televisão e anunciou que foi instalada uma comissão presidencial especial para recuperar "todo o ecossistema do Guri".

"O vice-presidente anunciou, de acordo com minhas instruções, uma nova medida necessária para que a administração pública trabalhe nas segundas e terças-feiras, enquanto passamos por estas semanas críticas, extremas, nas quais estamos fazendo o possível para salvar o Guri", disse Maduro. 

"Peço a máxima compreensão, apoio, solidariedade, ação e consciência", disse o presidente sobre as novas medidas. Além disso, Maduro indicou que este sistema laboral será mantido durante pelo menos duas semanas.

Irritação popular. Como parte do plano para poupar energia, o governo iniciou na segunda-feira um programa de racionamento elétrico com cortes programados de quatro horas diárias na metade dos estados do país, durante os próximos 40 dias.

Os cortes de energia já eram frequentes no interior do país, mas agora atingem diversas grandes cidades, ampliando a irritação entre uma população que já enfrenta a disparada da inflação e a falta de produtos básicos.

Na noite de segunda-feira ocorreram protestos em Maracaibo, segunda maior cidade do país e capital do Estado de Zulia, durante o corte no fornecimento. A região da Grande Caracas foi poupada do racionamento de energia.

"É uma situação extrema. El Niño não é uma brincadeira, peço a máxima consciência nacional para que sigamos com muita serenidade e paz social enfrentando isto", disse Maduro na noite desta terça. O presidente advertiu que "quem tentar a violência diante destas circunstâncias, sob o decreto de emergência (econômica) que está vigente, sofrerá todo o peso da lei".

Outra medida tomada pelo governo para combater a escassez energética passarará a valer a partir de 1º de maio. Nesta data, os relógios serão adiantados em 30 minutos, voltando para o fuso horário de quatro horas a menos em relação ao meridiano de Greenwich (-04H00 GMT) para tirar proveito da luz do dia.

O governo também exigiu dos grandes consumidores, como shoppings e hotéis, que gerem sua própria energia, o que tem feito com que vários estabelecimentos fecharem mais cedo.

Os quase 30 milhões de habitantes da Venezuela consomem em média 15,5 mil megawatts por hora, 9,5 mil dos quais são gerados pelas hidrelétricas. Os níveis das represas do país baixaram sensivelmente devido à seca, que foi agravada nos últimos meses pelo fenômeno climático El Niño. / EFE e AFP

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