Setor turístico do Egito aposta em crescimento após revolução

A revolta popular no Egito esvaziou hotéis, cassinos e bares, mas o setor do turismo -- que emprega um em cada oito egípcios -- espera que a recuperação seja rápida, e que em longo prazo a revolução ajude seus negócios.

ALEXANDER DZIADOSZ, REUTERS

17 de fevereiro de 2011 | 09h39

Com o eterno verão nas suas praias e um enorme acervo de antiguidades faraônicas, o Egito faturou quase 11 bilhões de dólares com o turismo em 2009, segundo o ministério do setor, o que representa mais de 10 por cento do PIB nacional.

Mas, durante os 18 dias de rebelião que levaram à queda do líder Hosni Mubarak, muitos países aconselharam seus cidadãos a evitarem viagens ao Egito. Locais geralmente lotados, como as pirâmides de Guizé, ficaram vazios.

No balneário de Sharm el Sheikh, na península do Sinai, a expectativa é de que os turistas voltem rapidamente, ainda mais depois de o país se livrar de um regime autoritário.

"Temos uma sensação boa para a próxima vez. As pessoas vêm aqui cinco, seis vezes, e voltam. Talvez da próxima vez eles tenham uma sensação boa, uma sensação de liberdade", disse Mahmoud el Helefy, de 30 anos, gerente de um restaurante.

A ocupação hoteleira em Sharm el Sheikh e Hurghada, outro balneário do mar Vermelho, caiu de 75 para 11 por cento desde o início da revolução, em 25 de janeiro, segundo a Associação Egípcia de Hotéis.

Durante seu breve período como vice-presidente, Omar Suleiman disse que cerca de 1 milhão de turistas deixaram de visitar o Egito, causando um prejuízo de cerca de 1 bilhão de dólares.

Não é a primeira vez que a atividade turística praticamente para no Egito. Foi assim por causa dos atentados islâmicos de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, de ataques a turistas no Sinai, de incidentes com tubarões no mar Vermelho, ou dos transtornos aéreos causados por um vulcão da Islândia no ano passado.

Apesar disso, a tendência geral continuou sendo de expansão.

"Sou muito otimista de que o turismo irá se recuperar muito rapidamente, porque acho que os turistas consideram a revolução positiva", disse Hala el Khatib, secretário-geral da Associação de Hotéis, acrescentando que não houve uma onda de demissões no setor.

Um operador de turismo que se identificou com o apelido de "Mahmoud Crystal," em Sharm el Sheikh, contou que faz mais de uma semana que não tem um só cliente, mas que já está acostumado aos altos e baixos.

"Esta é uma cidade louca, como um cassino", disse ele, fumando em seu escritório vazio, em meio a guias de viagem em russo, italiano e inglês.

Apesar dos prejuízos, o clima entre os moradores de Sharm el Sheikh é de simpatia pela revolução. Muitos ali são oriundos do Cairo e do Delta do Nilo, e migraram à procura de trabalho.

Na noite de quarta-feira, funcionários de um bar entoava slogans revolucionários, lembrando de suas visitas à praça Tahrir - epicentro dos protestos, no Cairo - e falando sobre política enquanto serviam cerveja aos clientes.

(Reportagem adicional de Sarah Mikhail e Victoria Bryan)

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