Setores decisivos na vitória de Obama podem apoiar republicanos, diz pesquisa

Mulheres, eleitores independentes, católicos e os de baixa renda estão mais propensos a votar em candidatos do Partido Republicano.

Alessandra Corrêa, BBC

28 de outubro de 2010 | 23h09

Eleitores republicanos se reúnem em encontro do movimento Tea Party

As vésperas das eleições legislativas americanas, uma pesquisa divulgada pelo jornal The New York Times nesta quinta-feira indica que segmentos decisivos na vitória do presidente Barack Obama, em 2008, estão inclinados a optar por candidatos republicanos na votação de 2 de novembro.

Segundo a pesquisa, encomendada em conjunto com a rede CBS News, o percentual de mulheres que pretendem votar em republicanos neste ano supera em 4 pontos percentuais o das eleitoras que vão escolher candidatos democratas.

Em consultas anteriores, a preferência das eleitoras do sexo feminino era por democratas e, segundo o jornal, o resultado desta semana sugere que os republicanos conseguiram ganhar o apoio de mulheres indecisas nas últimas semanas.

De acordo com a pesquisa, que entrevistou 1.173 pessoas em todo o país entre os dias 21 e 26, além das mulheres, também os eleitores independentes, os católicos e os de baixa renda estão mais propensos a votar em republicanos, uma mudança em relação a pesquisas anteriores.

Foi com o apoio desses segmentos demográficos que em 2008 o Partido Democrata conquistou a maioria no Congresso.

Projeções

Dois anos depois, o ritmo lento da recuperação da economia americana e algumas medidas consideradas impopulares tomadas pelo governo Obama podem tirar a maioria dos democratas.

Estão em jogo nestas eleições todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 37 das cem vagas do Senado. Também serão eleitos governadores de 37 Estados.

Analistas e pesquisas de intenção de voto afirmam que o Partido Republicano deverá conquistar a maioria na Câmara dos Representantes.

As projeções mais recentes são de que os republicanos podem conquistar até 50 cadeiras na Câmara, o que daria ao partido a maioria, com 230 deputados. Os democratas ficariam com 205 cadeiras.

No Senado, a situação permanece indefinida, e candidatos dos dois partidos aparecem empatados nas pesquisas em vários Estados.

Daily Show

Obama é o primeiro presidente a aparecer no programa de comédia Daily Show

Enquanto os republicanos aproveitam o clima de decepção com o governo Obama entre muitos eleitores americanos para impulsionar suas campanhas, líderes democratas se engajam em um esforço final a poucos dias da votação.

O próprio presidente tem participado de comícios em vários Estados para apoiar candidatos do partido e dado entrevistas a diversos jornais e emissoras de TV.

Na noite desta quarta-feira, foi a vez do Daily Show, apresentado pelo humorista Jon Stewart e que tem muitos jovens entre seu público.

Obama é o primeiro presidente americano a aparecer no programa (ele já havia participado outras vezes antes de chegar à Casa Branca), veiculado pelo canal a cabo Comedy Central.

Tempo

Na entrevista, Obama pediu mais tempo para promover as mudanças prometidas e disse que seu governo levou adiante uma agenda de projetos que estão fazendo diferença nas vidas dos americanos.

"Eu espero, e a maioria dos democratas espera, que as pessoas queiram ver mais progresso", disse o presidente.

Ao ser questionado sobre as promessas de mudança feitas durante a campanha em 2008, Obama disse que isso não vai acontecer "da noite para o dia".

O apresentador do programa é considerado um liberal e é personagem popular nos Estados Unidos. Neste fim de semana, Stewart lidera a chamada "passeata para restaurar a sanidade".

O evento, realizado em Washington, terá a presença de outras estrelas do Comedy Central e é definido pelos organizadores como "uma manifestação para pessoas que estão muito ocupadas para participar de manifestações", em referência a vários protestos realizados recentemente no país, muitos deles promovidos por adeptos do movimento conservador Tea Party.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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