Lee Jong-Geun/Reuters
Lee Jong-Geun/Reuters

Seul admite falha na resposta aos ataques norte-coreanos

Presidente endurece discurso contra a Coreia do Norte para conter insatisfação da opinião pública com o governo

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE/ PEQUIM, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, reconheceu ontem que seu governo falhou na resposta ao ataque norte-coreano que provocou a morte de quatro pessoas há uma semana em uma ilha próxima da fronteira entre os dois países.

Em discurso à nação, Lee ignorou a proposta da China de realizar uma reunião de emergência dos seis países envolvidos nas discussões sobre o programa nuclear da Coreia do Norte, que já havia sido rejeitada por Estados Unidos e Japão.

Sem citar nenhuma vez o nome da China, Lee deu um recado direto a Pequim, principal aliado de Pyongyang: "Aqueles que até agora apoiaram o regime norte-coreano podem ver suas verdadeiras cores." Logo depois, agradeceu aos líderes de EUA, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha e Rússia por terem condenado o "ato de brutalidade" do Norte.

O presidente ressaltou que "não faz mais sentido" acreditar que a Coreia do Norte abandonará seu programa nuclear ou sua política de hostilidade, declaração que põe em xeque a própria existência das negociações nucleares. "O povo sul-coreano entendeu de maneira inequívoca que a paciência prolongada e a tolerância não vão trazer nada mais do que mais provocações", afirmou Lee.

O endurecimento da posição do presidente é uma resposta à opinião pública no país, insatisfeita com o que considera uma ação branda aos ataques, que deram origem a um dos momentos mais tensos entre os dois lados da península desde a Guerra da Coreia (1950-1953).

Pequim não condenou a agressão da Coreia do Norte e está sob pressão internacional crescente para tomar medidas que contenham seu aliado. Na tentativa de amenizar as críticas e mostrar iniciativa, a China apresentou no domingo a proposta de reunião emergencial, que foi recebida com frieza.

Os EUA condicionaram o reinício das negociações ao abandono das "provocações" de Pyongyang. O ministro de Relações Exteriores do Japão, Seiji Maehara, foi na mesma linha: "Temos que, primeiro, ver algum esforço sincero da Coreia do Norte no seu programa atômico e em relação ao último incidente."

A Coreia do Sul e os EUA continuaram ontem os exercícios militares iniciados no domingo e que se estendem até amanhã. Os sul-coreanos abandonaram a intenção de realizar manobras na Ilha de Yeongpyeong, alvo dos ataques norte-coreanos. Com a medida, Seul evita um gesto que poderia ser entendido como uma provocação pelo Norte.

Dentro da China, a imprensa (censurada) e a opinião pública responsabilizam Seul pelo início do confronto, por ter lançado bombas na região marítima disputada pelos dois países antes do ataque do Norte. O governo admite que realizou os disparos, mas diz que eles não foram direcionados à Coreia do Norte e caíram no mar, sem deixar vítimas.

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