Seul coloca tropas e navios em alerta após troca de tiros no mar

Disparos entre Marinhas coreanas não afetam decisão de enviar diplomata para diálogo com Norte, diz Hillary

estadao.com.br,

11 Novembro 2009 | 09h16

A Coreia do Sul afirmou nesta quarta-feira, 11, que está pronta para deter qualquer retaliação da Coreia do Norte por conta do primeiro confronto entre os dois países em sete anos. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que o incidente não afetará a decisão do governo americano de enviar um diplomata para iniciar as conversas diretas com o regime comunista sobre seu programa nuclear.

 

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Na terça-feira, navios militares das Coreias do Norte e do Sul trocaram tiros por dois minutos, deixando um militar norte-coreano morto e três feridos. O confronto ocorreu horas antes de oficiais americanos anunciarem que o presidente Barack Obama decidiu aceitar o pedido norte-coreano para enviar um oficial americano para dialogar diretamente com o país.

 

O incidente aumentou as especulações de que o Norte estaria tentando fomentar a tensão na região para obter vantagem nas negociações. O confronto ocorreu dias antes de Obama dar início a seu primeiro giro pela Ásia desde que chegou à Casa Branca, em janeiro.

 

As Marinhas dos dois países acusam-se mutuamente de ter violado os limites marítimos fixados em 1953 pelas Nações Unidas, dando início à troca de tiros. A embarcação norte-coreana teria recuado em chamas depois do tiroteio. Formalmente, as duas Coreias estão em guerra desde o conflito de 1950-1953, pois nenhum acordo de paz foi assinado entre os dois países desde então. Os EUA dizem que um acordo de paz definitivo entre as duas Coreias só seria possível depois de Pyongyang abandonar seu programa nuclear para fins militares.

 

Em Cingapura, Hillary afirmou que o incidente naval não afetou a decisão de mandar o enviado especial para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, até o fim deste ano para negociar com Pyongyang. Segundo ela, a viagem será um grande passo no diálogo com o regime. A visita de Bosworth a Coreia do Norte será a primeira de um membro do governo Obama para iniciar conversas diretas com o regime comunista e a primeira de uma administração americana em mais de um ano.

 

O ex-secretário de Estado adjunto para a Ásia do Leste e Pacífico e principal negociador no diálogo nuclear com Pyongyang durante o governo de George W. Bush, Christopher Hill, foi, em setembro de 2008, o último representante americano a viajar oficialmente para a Coreia do Norte.

 

Segundo autoridades de Seul, o embate teve início depois que um navio-patrulha norte-coreano de 215 toneladas violou o limite marítimo com a Coreia do Sul, ignorou cinco tentativas de comunicação por rádio e efetuou 50 disparos contra um navio-patrulha de alta velocidade da Marinha sul-coreana, provocando leves avarias na embarcação. Os sul-coreanos responderam com 200 disparos, incendiando o navio norte-coreano. Pelo menos nove pesqueiros sul-coreanos e diversos barcos chineses civis estavam nos arredores no momento do confronto, mas todos puderam se afastar em segurança.

 

Os norte-coreanos disseram apenas que um de seus barcos-patrulha retornou à costa depois de monitorar um "intruso não-identificado". Pyongyang nunca reconheceu o limite marítimo estabelecido pela ONU há 56 anos. Desde janeiro, navios norte-coreanos violaram 20 vezes os limites com a Coreia do Sul, mas, até então, costumavam recuar ao receber advertências por rádio.

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