Seul condena ''Mata Hari'' de Pyongyang

Espiã usou ''sexo como ferramenta'' em missão

Los Angeles Times, O Estadao de S.Paulo

16 de outubro de 2008 | 00h00

Won Jeong-hwa, a chamada "Mata Hari da Coréia do Norte", foi sentenciada ontem a 5 anos de prisão por espionagem. A sedutora agente usou durante anos "o sexo como uma ferramenta" para seduzir altos oficiais das Forças Armadas sul-coreanas, roubando seus segredos. O apelido, Mata Hari, vem da famosa dançarina que se tornou agente de espionagem durante a 1ª Guerra.Won Jeong-hwa tramava o assassinato de agentes sul-coreanos com agulhas envenenadas fornecidas por seus agentes controladores de Pyongyang, conforme o noticiário.A norte-coreana de 34 anos foi detida em agosto com seu padrasto, de 63 anos, e acusada de envolver-se em espionagem e fraude por sete anos após desertar para a Coréia do Sul.No interrogatório, ela detalhou para os investigadores sua vida dupla, na qual trabalhava para um dos regimes mais repressivos do mundo.O caso de Won, apenas o segundo espião norte-coreano a enfrentar um julgamento aqui na última década, atraiu a atenção do público e embaraçou a arrogante rede de inteligência do país.Ao desembarcar em 2001 no aeroporto de Incheon, em Seul, Won foi exaltada pelas autoridades sul-coreanas como uma desertora-modelo e contratada para visitar bases militares dando palestras aos soldados sobre os males do Estado stalinista.Durante todo o tempo, disseram os promotores, ela prosseguiu com sua verdadeira agenda: coletar fotos de instalações militares e sistemas de armas e manter listas de desertores norte-coreanos e dados pessoais de militares sul-coreanos.Suas declarações escritas para os investigadores fazem uma defesa direta para salvar sua vida. "Suportei um treinamento difícil e trabalhei duro para realizar missões como agente, acreditando que manter lealdade (ao líder da Coréia do Norte) era tudo", ela escreveu. "Mas, quando estava vivendo no Sul, comecei a ter dúvidas sobre o regime norte-coreano, e meu espírito vivia um conflito emocional." E acrescentou: "Meu pecado foi ter nascido no Norte."

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