Seul envia observadores à manobras contra armas nucleares

O Governo sul-coreano afirmou neste domingo que envioutrês observadores para monitorar as manobras que os países-membros da Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de Armas de Destruição em massa (PSI) realizarão segunda e terça-feira, no Barein."O Governo enviou três funcionários do Ministério de Relações Exteriores e da Guarda Litorânea para observar os exercícios do PSI, convocados para os dias 30 e 31 de outubro", afirmou um porta-voz da diplomacia sul-coreana.Os exercícios vão simular inspeções, registros e apreensões de navios suspeitos de transportar "armamento de destruição em massa". Serão as primeiras manobras do tipo a serem realizadas desde que a Coréia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear no último dia 9.Em 14 de outubro, o Conselho de Segurança da ONU impôs ao regime norte-coreano uma série de sanções, entre as quais a proibição do tráfego de armas e tecnologia relacionada que tenham a Coréia do Norte como destino ou porto de procedência.Os registros e inspeções que a PSI realiza são a base daaplicação de parte das sanções impostas pelo Conselho de Segurança à Coréia do Norte.A PSI é formada por mais de 70 países, e além de disponibilizar informações sobre armas de destruição em massa, pode ordenar inspeções de transportes internacionais suspeitos de envolvimento no contrabando desse tipo de tecnologia.Até agora a Coréia do Sul se negou a integrar a PSI como membro de plenos direitos por considerar que essa atitude possa aumentar a tensão com a Coréia do Norte.No entanto, o teste nuclear norte-coreano e o lançamento em julho de sete mísseis balísticos pelo Exército deste país no litoral japonês levaram a uma guinada na estratégia política de Seul.Embora a Coréia do Sul integre a PSI como país observador desde 2005, dias atrás o Governo de Seul começou a mencionar em público a possibilidade de uma plena adesão.No último dia 25 de outubro, fontes da Casa Presidencialsul-coreana adiantaram que a Coréia do Sul previa tomar uma decisão "prudente" sobre a eventual adesão à PSI, levando em consideração a possibilidade de "conflito físico" com a Coréia do Norte.Dois dias depois, era o próprio assessor de Segurança da Casa Presidencial, Song Min-soon, que destacou no Parlamento que "o Governo decidirá o nível dos passos relacionados com a expansão de seu papel na PSI, sempre que não for contemplado o bloqueio naval da Coréia do Norte".O regime de Pyongyang advertira que tal passo levaria a umconflito armado. O ex-presidente sul-coreano Kim Dae-jung, que em junho de 2000 celebrou uma histórica cúpula em Pyongyang com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, recomendou ontem ao Governo de Seul que "afaste" a Coréia do Sul da PSI."Se a Coréia do Sul adotar medidas de apoio à PSI em águaspróximas à península coreana, isso poderia causar um confrontomilitar e inclusive uma guerra", disse o ex-presidente e prêmio Nobel da Paz.

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