Baek Seung-ryul / AP
Baek Seung-ryul / AP

Seul exige desculpas de Pyongyang por ataques que desencadearam crise militar

Presidente da Coreia do Sul anunciou que se os norte-coreanos não se desculparem, as propagandas nos alto-falantes contra o regime de Kim Jong-un continuarão

O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 10h25

SEUL - A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, exigiu nesta segunda-feira, 24, que a Coreia do Norte se desculpe por seus dois supostos ataques contra o país vizinho, que provocaram uma das maiores crises militares dos últimos anos entre os dois países.

A chefe de Estado sul-coreana anunciou em reunião com seu gabinete que, se os norte-coreanos não se desculparem, os alto-falantes que emitem propagandas contra o regime de Kim Jong-un na Zona Desmilitarizada continuarão funcionando.

Além disso, Park ameaçou tomar novas medidas de represália contra a Coreia do Norte como o Ministério da Defesa havia anunciado previamente, informou a agência sul-coreana Yonhap.

A Coreia do Norte havia ameaçado Seul com uma ação militar caso não desligasse os alto-falantes no sábado, embora o ultimato tenha sido suspenso depois que os governos de ambos os países convocaram para o mesmo dia uma reunião de alto nível para tentar solucionar a crise.

Representantes de Seul e Pyongyang seguem reunidos na Aldeia da Trégua de Panmunjom, em um encontro que se prolongou hoje pelo terceiro dia sem anunciar avanços.

Especulações apontam que a estagnação no debate se deve justamente às inflexíveis posturas de ambas as partes em relação à questão dos alto-falantes e das desculpas que Seul exige a Pyongyang pelos dois ataques.

A Coreia do Norte negou categoricamente seu envolvimento na explosão de minas que no dia 4 causou graves ferimentos em dois soldados sul-coreanos que patrulhavam a região próxima à fronteira, e disse que não foi a primeira a disparar na troca de tiros de artilharia que aconteceu na quinta-feira passada.

Enquanto isso, as forças armadas de ambos os lados permanecem preparadas para o combate, em um ambiente marcado pela tensão. A Organização das Nações Unidas, os Estados Unidos e a China pediram calma.

“Nossa posição nesse momento é dissuadir a provocação da Coreia do Norte”, disse Kim Min-seok, porta-voz do Ministério de Defesa de Seul. “Mas se eles provocarem, nossa resposta será impiedosa.”

Norte e Sul permanecem em forte tensão militar desde a Guerra da Coreia (1950-53), que acabou com um armistício nunca substituído por um tratado de paz definitivo.

Submarino. Os governos de Seul e Washington estão estudando a possibilidade de posicionar um submarino com armas nucleares na Coreia do Sul, informou hoje a agência Yonhap.

Kim Min-seok, revelou que "Coreia do Sul e Estados Unidos estão revisando o calendário para o posicionamento de ativos militares estratégicos americanos" em território sul-coreano.

Estes ativos incluiriam um submarino de propulsão nuclear atualmente destinado a Yokosuka (Japão) e o avião B-52 Stratofortress, um bombardeiro estratégico subsônico de longo alcance equipado com potentes bombas anti-bunker.

O possível envio do submarino americano pode provocar a ira do regime de Kim Jong-un, que considera este tipo de ação uma ameaça direta a sua segurança, e se tornaria um novo obstáculo para as conversas bilaterais de paz.

Os EUA mantêm 28.500 tropas na Coreia do Sul e se comprometeram a defender seu aliado em caso de conflito com o Norte. /EFE e REUTERS

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