Seul exige que Coréia do Norte abandone plano de teste nuclear

A Coréia do Sul se uniu nesta quarta-feira aos EstadosUnidos e ao Japão e exigiu que a Coréia do Norte volte atrás em seusplanos de realizar um teste nuclear, responsabilizando o regimecomunista por "todas as conseqüências" de seus atos. O presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, recomendou ao seugabinete que aborde o tema "com a cabeça fria, mas com firmeza". Acrise foi desatada na terça-feira depois de o Estado comunista teranunciado que realizará "no futuro" um teste nuclear. O chefe do Executivo sul-coreano ordenou fortalecer o alerta nopaís. Mas, segundo a agência de notícias Yonhap, que citou fontesmilitares, o alarme máximo não foi declarado e as tropas esperam comCautela. Em fevereiro do ano passado, a Coréia do Norte anunciou quepossuía armas atômicas e na terça-feira, pela primeira vez, disseque fará testes nucleares para aumentar sua capacidade de dissuasãoperante a "hostilidade" dos Estados Unidos. "A extrema ameaça dos Estados Unidos de desatar uma guerranuclear, além das sanções e pressões que impõem, obrigam a RepúblicaDemocrática Popular da Coréia a realizar um teste nuclear, processoessencial para desenvolver a dissuasão atômica como medida dedefesa", informou o Ministério de Relações Exteriores norte-coreano. Na sua reação desta quarta-feira, o governo sul-coreano reiterou sua posiçãode que "nunca será aceitável que a Coréia do Norte possua armasnucleares" e pediu ao vizinho que "renuncie imediatamente ao planode realizar um teste nuclear". Em reunião do comitê de Relações Exteriores da AssembléiaNacional (Parlamento), o ministro da Unificação sul-coreano, LeeJong-Seok, reconheceu que, ainda que não haja sinais de um iminenteteste atômico, a Coréia do Norte cumprirá sua ameaça e fará a provacaso o diálogo multilateral sobre seu programa nuclear não sejaRetomado. "Esse comunicado tem o objetivo de pressionar os EUA a mudaremsua postura", disse Lee, em referência às sanções financeirasimpostas por Washington a Pyongyang, o que, para o regime comunista,é o principal obstáculo para a retomada das negociações. As conversas multilaterais entre as duas Coréias, China, EUA,Japão e Rússia sobre o programa nuclear norte-coreano são boicotadaspor Pyongyang desde a última rodada, realizada em novembro de 2005em Pequim. Para retornar às conversas multilaterais, Pyongyang exige queWashington suspenda as sanções impostas há um ano contra váriasinstituições financeiras que têm negócios com a administraçãonorte-coreana, sob acusações de lavagem de dinheiro para a Coréia doNorte e falsificação de dólares. O vice-ministro do Exterior da Coréia do Sul, YuMyung-Hwan, reiterou hoje que "é necessário enviar um sério aviso àCoréia do Norte para que não se equivoque ao julgar a atual situaçãoe realize os testes nucleares". Na manhã desta quarta-feira, o chanceler sul-coreano, BanKi-Moon, discutiu a crise em uma conversa por telefone com o chefeda diplomacia chinesa, Li Zhaoxing. Os dois concordaram em tentarconvencer a Coréia do Norte a não aumentar a tensão na região. O vice-ministro do Exterior sul-coreano, YoMyung-Hwan, disse que, mesmo sendo cedo para falar de medidasconcretas, já que o teste ainda não foi realizado, lembrou que oConselho de Segurança da ONU já havia adotado uma resolução contra olançamento de sete mísseis feito pela Coréia do Norte em 5 de julho. Os mísseis balísticos de testes caíram no mar do Japão eprovocaram uma grave crise internacional. Um deles era umTaepodong-2, capaz de atingir a costa oeste dos EUA. No entanto, na terça-feira já puderam ser observadas as primeirasdivisões no Conselho de Segurança da ONU. Enquanto os EUA e o Japãoquerem a adoção de uma linha dura contra a Coréia do Norte, China eRússia pediram moderação e que nada seja feito por enquanto para quea tensão não aumente ainda mais. "Este assunto é muito sensível" e exige "um exercício de calma àspartes" envolvidas, manifestou o embaixador chinês perante a ONU,Wang Guangya. Wang ressaltou que, "se as conversas multilaterais não funcionam(para solucionar o problema), não me parece que o Conselho (deSegurança) esteja em condições de fazê-lo melhor". Em entrevista coletiva realizada no Egito, a secretária de Estadoamericana, Condoleezza Rice, qualificou a ameaça como uma"provocação" e advertiu que "um teste nuclear norte-coreano criariauma situação qualitativamente diferente na península coreana". O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, acrescentou que,"se forem realizados os testes e com isso contribuírem paraproliferar esta tecnologia, obviamente nos encontraremos vivendo emum mundo diferente".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.