Seul exorta Pequim a aceitar refugiados

Após pacto com a Coreia do Norte, China passou a repatriar norte-coreanos que conseguem cruzar fronteira entre os países

SEUL, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h02

Nas mãos de dezenas de pessoas que ocupam há semanas a calçada em frente à Embaixada da China em Seul, cartazes exortam: "Salve meu amigo". O "amigo" não tem nome ou rosto. Pode ser qualquer um dos mais de 40 norte-coreanos presos hoje na China, ameaçados de deportação e com destino incerto do outro lado dos rios Tumem e Yalu, que separam os dois países.

Depois de um acordo recente entre Pequim e Pyongyang, o governo chinês decidiu deportar dissidentes norte-coreanos que cheguem ao país. A alegação é a de que são apenas imigrantes ilegais fugindo do país por razões econômicas - e não refugiados.

Ahn Mi-ok, de 48 anos, dona do primeiro restaurante de comida norte-coreana de Seul, fugiu há seis anos, depois de passar um ano sendo interrogada, humilhada e perseguida para entregar o paradeiro de seu marido, desaparecido um ano antes. Não chegou a ser torturada, conta, pois tinha ligações no partido - e também porque, diz, com dinheiro consegue-se tudo, até evitar a tortura. Com a filha de 24 anos, Ahn fugiu para a China e depois de uma semana chegou a Seul.

"Eu não era uma dessas norte-coreanas que estavam passando fome. Éramos elite. Ainda assim, a vida não era fácil. Queríamos dar uma vida melhor à nossa filha, uma educação melhor, alimentação melhor", disse.

Jin Hyuk-yang, de 25 anos, saiu da Coreia do Norte aos 10 anos. Apesar do tempo que passou, o que viu não desapareceu da sua cabeça. "Eu saía de casa e via as pessoas desmaiando nas ruas, incapazes de controlar seus corpos", diz. "Não é fácil viver em Seul, mas temos ajuda do governo. Ninguém pode ser obrigado a voltar para lá. E nunca vou esquecer o que vivi." / L. P.

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