EFE/Jeon Heon-Kyun
EFE/Jeon Heon-Kyun

Seul interroga líderes de conglomerados empresariais por caso de corrupção envolvendo presidente

Vice-presidente da Samsung negou ter doado dinheiro em troca de favores à amiga de Park Geun-hye, mas admitiu que empresa pagou cavalo da filha de Choi Soon-sil

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2016 | 14h44

SEUL - Os líderes de oito dos maiores conglomerados empresariais da Coreia do Sul, entre eles Samsung Electronics e Hyundai, começaram a testemunhar nesta terça-feira, 6, em uma audiência pública pelo caso de corrupção envolvendo a presidente Park Geun-hye.

Os deputados da Assembleia Nacional, em Seul, começaram interrogar os empresários sobre o caso, que também envolve tráfico de influência, em uma sessão transmitida pelas principais emissoras de televisão do país.

Acredita-se que as empresas doaram dezenas de milhões a Mim-R e K-Sports, duas fundações dirigidas por Choi Soon-sil, a amiga íntima da presidente, que supostamente teria usado essa ligação para arrecadar dinheiro dos grandes conglomerados, além de desviar parte dos fundos para se apropriar deles.

As confissões dos empresários podem esclarecer se a presidente e sua amiga os extorquiram sob ameaças ou concederam favores em troca das doações. As atenções estão voltadas principalmente para o vice-presidente da Samsung Electronics, Lee Jae-yong, o presidente do grupo Hyundai Motor, Chung Mong-koo; da Lotte, Shin Dong-bin; e do Grupo LG, Koo Bon-moo.

A Samsung, maior empresa do país, teria oferecido a contribuição mais generosa, de aproximadamente 25 bilhões de wons (cerca de US$ 20,5 milhões), dos quais uma parte foi transferida diretamente para Choi.

Jae-yong negou ter doado dinheiro em troca de favores a Choi ao ser interrogado. "Nunca fornecemos apoio ou doações em troca de algo", afirmou.

Ele foi evasivo no interrogatório e disse que não lembrava de ter entregue doações especificamente à Choi, embora tenha admitido estar se sentindo "envergonhado" pelo envolvimento no escândalo e admitiu que a Samsung "tem coisas para corrigir", sem dar mais detalhes.

O herdeiro do conglomerado familiar também afirmou que o processo de fusões e aquisições do Grupo Samsung não está relacionado a sua sucessão no poder, antecipada pelo grave estado de saúde de seu pai, Lee Kun-hee, desde que sofreu um infarto em 2014.

Lee admitiu que a empresa pagou o cavalo de Choi Yoo-ra, filha de Choi Soon-sil e amazona profissional, avaliado em 1 milhão de wons (cerca de US$ 855 mil), uma parte dos fundos supostamente fornecidos pela Samsung para financiar a carreira esportiva da jovem.

O caso despertou uma forte indignação no país e provocou pedidos de renúncia de Park Geun-hye, a quem os promotores apontam como "cúmplice". / EFE

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