Seul teme ataque norte-coreano para forçar diálogo com EUA

Coreia do Sul afirma que ofensiva surpresa e lançamento de míssil pressionam por negociações com Washington

Efe e Reuters,

18 de março de 2009 | 11h46

O Ministério da Defesa sul-coreano advertiu nesta quarta-feira, 18, sobre a alta possibilidade de que a Coreia do Norte faça um ataque surpresa à Coreia do Sul, e destacou que crê que Pyongyang lançará um míssil de longo alcance, informou a agência Yonhap. A intenção da Coreia do Norte, segundo o texto, seria pressionar o governo americano para realizar em breve um diálogo bilateral entre Pyongyang e Washington.

 

Em relatório apresentado ao Parlamento, o Ministério da Defesa sul-coreano considera muito provável que a Coreia do Norte realize um ataque surpresa, apesar de limitado, para provocar um conflito interno entre diferentes facções no país vizinho. Seul considera que este ataque norte-coreano poderia ocorrer na fronteira marítima do Mar Amarelo, através do lançamento de projéteis, ou na zona desmilitarizada situada entre os dois países, por meio de provocações limitadas.

 

O alerta sul-coreano acontece depois que o regime comunista da Coreia do Norte anunciou, na semana passada, seu plano de lançar um satélite de comunicações entre 4 e 8 de abril, alegando seu direito ao desenvolvimento espacial com fins pacíficos. A Coreia do Sul afirma ainda que o lançamento norte-coreano de um míssil ou de um satélite violaria a resolução do Conselho de Segurança da ONU, pois a tecnologia aplicada em ambos os casos é muito parecida.

 

O plano alarmou a região, levando algumas companhias aéreas a alterarem suas rotas durante o período do lançamento norte-coreano. Em 1998, a Coreia do Norte já havia provocado atritos com Tóquio ao disparar um foguete que passou sobre o território japonês e caiu no Pacífico.

 

Japão em alerta

 

O Japão vai autorizar a mobilização de interceptadores de mísseis balísticos contra a possibilidade de que um foguete norte-coreano atinja seu território, disse nesta quarta-feira a agência japonesa de notícias Kyodo. A lei japonesa autoriza o abate de objetos perigosos que estejam caindo na direção do país, exceto aviões. Citando fontes governamentais, a Kyodo afirmou que o gabinete pretende aprovar medidas preparatórias para destruir o foguete caso ele caia sobre o território japonês.

 

A Coreia do Norte diz ter o direito de colocar um satélite de comunicações em órbita. Já os rivais do país dizem que isso na prática serve para testar o foguete militar Taepodong-2, supostamente capaz de atingir o Alasca. Pyongyang diz que o primeiro estágio do foguete cairá no mar do Japão, e o segundo, no Pacífico.

 

Se houver aprovação do gabinete japonês, provavelmente até o final de março, Tóquio deve mobilizar interceptadores terra-ar do tipo Patriot Advanced Capability-3, segundo a Kyodo. A aprovação do gabinete é necessária porque a Constituição pacifista do Japão limita rigidamente as atividades militares. A Kyodo acrescentou que o Japão cogita também o uso de dois destróieres equipados com o sistema de radares Aegis e com os interceptadores Standard Missile-3.

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