Arash Khamooshi/The New York Times
Arash Khamooshi/The New York Times

#SevereRevenge: Desejo de vingança dos iranianos vai das ruas às redes sociais

Reação popular após morte do general Qassim Suleimani tem provocado queima de bandeiras americanas e ameaças diretas

João Ker, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2020 | 17h40

A execução do general Qassim Suleimani por um ataque de drone comandado pelos Estados Unidos na última quinta-feira, 2, tem gerado uma onda de “promessas de vingança” por parte dos iranianos. 

inda na sexta, manifestantes começaram a tomar as ruas do Teerã enquanto queimavam bandeiras americanas e israelenses e, na manhã desta segunda-feira, um vídeo em que Donald Trump aparece em um caixão foi divulgado pelo perfil oficial do Diário Iraniano no Twitter, com a mensagem: “Os usuários iranianos respondem à liberação de Trump da imagem da bandeira dos EUA”. Confira abaixo:

Durante o funeral de Suleimani nesta segunda-feira, a TV estatal do Irã afirmou que milhões de pessoas compareceram às ruas, algumas com cartazes nos quais era possível ler “Severe Revenge” (Vingança cruel, em tradução livre), a mesma mensagem do vídeo acima. De acordo com a agência de notícias France-Presse, gritos de “Morte à América!” também eram ouvidos entre a multidão.

Levantamento feito pelo Estado mostra que a hashtag #SevereRevenge já foi disseminada no Twitter mais de 100 mil vezes apenas nas 14 horas iniciais desta manhã, entre tuítes, retuítes, respostas e favoritos. Ao todo, mais de 2,3 milhões de usuários foram alcançados nesse mesmo intervalo.

Entre a promessa de vingança da filha de Suleimani e a declaração do líder do Hezbollah de que “americanos voltarão para casa em um caixão”, o povo iraniano tem se unido no ódio comum aos EUA, como avaliou o professor Salem Nasser, da FGV, em entrevista ao Estado. “O tamanho das procissões e a energia poderosíssima que esse ataque liberou mostram que o regime é mais popular do que se tende a imaginar por aqui. Os iranianos são extremamente nacionalistas, patrióticos, orgulhosos. Isso uniu a população.”

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