Sexta-Feira Santa: sombria em Jerusalém, sem o papa em Roma

Centenas de cristãos seguiram ospassos de Jesus na Sexta-Feira da Paixão, cantando hinos eparando para rezar ao longo da chamada Via Dolorosa, ou ViaCrucis, por onde, segundo a tradição, Cristo carregou a cruz nascostas a caminho da crucificação há quase dois mil anos. Enquanto um escasso número de peregrinos observava oritual anual, a polícia de Israel tumultuou um importante localreligioso nas imediações - a Esplanada das Mesquitas -, atirandogranadas de efeito moral em palestinos que atiravam pedras. Emoutro ponto da cidade, um ataque suicida de uma palestina matouela própria e mais duas pessoas em um supermercado de um bairrojudeu. Um ano e meio de conflitos sangrentos afastou osturistas e mesmo os peregrinos, que são os viajantes maisdeterminados. A maior parte dos cristãos refazendo os caminhosde Cristo era constituída por palestinos, trabalhadoresfilipinos e europeus do leste, além do pessoal das agências deturismo. Em Roma, o papa João Paulo II não teve forças paracarregar uma cruz durante a procissão da Paixão, mas prometeucelebrar as cerimônias do Domingo de Páscoa, e o Vaticanoanunciou que colocará um altar especial na Basílica de São Pedropara evitar que o pontífice tenha de subir escadas. A procissão romana da Sexta-Feira Santa foi modificadaem atenção à saúde e idade do papa: em vez de carregar a pesadacruz ao longo de 800 metros - o que já não havia feito no anopassado -, neste ano o pontífice simplesmente se colocou de pé,apoiado em uma cadeira e leu uma oração marcando o início dotrajeto. A ausência do papa nas cerimônias de hoje levou os fiéisa se perguntarem se ele poderá oficiar as cerimônias do sábado ànoite e do domingo pela manhã. Em uma demonstração de fé cristã, paixão e sangue quelembra a Idade Média, cerca de 20 fiéis se fizeram crucificarcom cravos de verdade como parte do rito anual da Sexta-FeiraSanta nas Filipinas, o maior país católico do Sudeste Asiático. Calcula-se que pelo menos 20 mil pessoas tenham ido aSan Pedro Cutud, uma aldeia localizada a 70 km da capital,Manila, para verem de perto os ritos de crucificação de Jesus -em parte ritual religioso, em parte espetáculo turístico - queali ocorrem anualmente há décadas. "Este é o lugar que iniciou as crucificações em grandeescala", disse Zoilo Castro, um dirigente municipal de SanPedro Cutud. "A cada ano vem mais gente". Uma multidão de pessoas se postou ao longo de umaestrada de 1 km de extensão para observar uma procissão que porela avançava - um grupo de penitentes sem camisa que açoitavamas próprias costas para pedir perdão pelos seus pecados. A estrada conduz ao local das crucificações - que,oficialmente, a Igreja Católica desaprova. Mas, até agora, asautoridades eclesiásticas não tomaram nenhuma medida paraimpedi-las.

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