Sharon aceita discutir iniciativa árabe de paz

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, está disposto a se reunir com autoridades sauditas a fim de conversar sobre uma iniciativa de paz deles, afirmou nesta terça-feira um representante da União Européia, enquanto chefes de segurança israelenses e palestinos retomaram conversações visando pôr fim a 17 meses de violência.O representante para Política Externa e de Segurança Comum da UE, Javier Solona, anunciou que fará uma parada não programada em Riad nesta quarta-feira para ouvir detalhes do plano diretamente do príncipe herdeiro saudita, Abdullah.Autoridades israelenses afirmaram que, até o momento, a iniciativa é apenas um artigo de jornal. A proposta prevê que em troca de uma completa retirada israelense da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, todo o mundo árabe fizesse a paz com o Estado judeu.Palestinos endossaram a iniciativa saudita, dizendo que ela se encaixa na política deles de oferecer a Israel a paz em troca de uma completa retirada.Solana disse que Sharon se mostrou "disposto a se encontrar seja com quem for da Arábia Saudita, formalmente, informalmente, publicamente, discretamente, de qualquer forma, para conseguir melhor informação sobre o significado da idéia".O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou hoje para Abdullah e expressou a esperança dos EUA de trabalharem com ele "na busca da paz no Oriente Médio", informou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer.Mas Fleischer disse que Bush não mostrou empolgação com a proposta, e ponderou: "ê importante ter uma visão de como a paz deveria ser no fim do dia, mas ainda falta muito para o fim do dia no Oriente Médio".Tratando de preocupações imediatas, chefes de segurança israelenses e palestinos reuniram-se em Tel Aviv para discutir medidas visando a conter a violência e aliviar a pressão israelense. Oficiais palestinos, que pediram para não serem identificados, confirmaram que o encontro começou ao anoitecer na presença de representantes norte-americanos. Autoridades israelenses não quiseram fazer comentários.A reunião dos chefes de segurança ocorre depois de uma semana especialmente violenta de ataques palestinos e represálias israelenses. Entretanto, os palestinos haviam cancelado a reunião inicialmente marcada para domingo, em protesto contra a recusa de Israel de devolver a liberdade de movimentos ao líder palestino Yasser Arafat, confinado na cidade de Ramallah, Cisjordânia, por quase três meses.Arafat ordenou a retomada das conversações depois de um pedido de Solana. "Foi uma solicitação de nosso amigo, Javier Solana, e a isso não posso dizer não", disse Arafat.Solana afirmou ter mais detalhes sobre o plano de Abdullah do que apareceu na mídia saudita e norte-americana, mas que ele não iria revelá-los.O jornal saudita Al Watan escreveu num editorial que nenhuma visita entre sauditas e israelenses ocorrerá enquanto não for alcançado um acordo de paz no Oriente Médio, refletindo a tradicional política do reino árabe.O ministro da Defesa israelense, Ben-Eliezer, disse hoje que o plano saudita "contém elementos positivos e deveria ser encorajado". Ben-Eliezer lidera o moderado Partido Trabalhista, parceiro do belicista Likud, de Sharon, numa ampla coalizão governista.É improvável que a coalizão sobreviva a uma discussão sobre a questão das fronteiras entre Israel e um Estado palestino. Os trabalhistas são a favor de abrir mão da maior parte do território em troca da paz, incluindo o desmantelamento de muitos assentamentos judeus. Por outro lado, Sharon tem falado em oferecer aos palestinos um Estado em cerca de 40% da Cisjordânia e grande parte de Gaza, sem que haja a remoção de assentamentos.Entretanto, até agora, mesmo os trabalhistas têm rejeitado uma retirada de todos os territórios capturados por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967, como exigem os palestinos. O ministro do Exterior Shimon Peres, do Partido Trabalhista, disse à tevê israelense hoje que, ao contrário da interpretação árabe, Israel não considera que resoluções do Conselho de Segurança da ONU exijam uma retirada para a linha anterior à guerra de 1967. "Existe uma discordância entre nós e os palestinos sobre essa questão, e não existe motivo para negá-la", afirmou Peres durante uma visita a Paris.Depois de dois palestinos e três israelenses terem sido mortos em incidentes na segunda-feira, hoje foi um dia relativamente calmo. O Exército de Israel noticiou alguns ataques a tiros de palestinos em rodovias da Cisjordânia sem que ninguém tivesse ficado seriamente ferido.

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