Sharon acusa Arafat de praticar terror contra Israel

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, acusou hoje o líder palestino, Yasser Arafat, de praticar sistematicamente o terrorismo contra Israel e de ter estabelecido relações de cooperação com o Irã através da unidade especial Força 17. Sharon fez tais declarações à imprensa por ocasião da Páscoa judaica. "Sempre nos pedem que não o ataquemos fisicamente", diz Sharon ao jornal Maariv. "Mas seria necessário dizer aos EUA, à luz dos acontecimentos, que é preciso mudar a política sobre esse tema. Não quero dizer com isto que seja preciso atacá-lo fisicamente". À pergunta de se então seria preciso expulsá-lo da região, Sharon respondeu: "Sim, não há alternativa. Arafat dirige pessoalmente o terrorismo. Os grupos terroristas recebem dinheiro dele. Não esperamos dele nem sequer a menor tentativa de mudar esta situação. O terrorismo é sua política, sua estratégia". "Inclusive os norte-americanos - continuou - sabem bem quem é Arafat, o mesmo os europeus e os dirigentes árabes, mas eles também têm outros interesses". Segundo Sharon, Arafat representa uma calamidade até para os próprios palestinos: "O que obtiveram dele, exceto destruição, mortos e vítimas? Vejam que ´gênio´ temos diante de nós. Do ódio, do desejo de matar e de ser morto não pode sair nada de positivo". Referindo-se a um artigo do New York Times sobre "as relações secretas" entre Arafat e os dirigentes iranianos, Sharon sustentou que esses contatos "começaram antes do encontro entre dirigentes da OLP e emissários do aiatolá Khamenei em Moscou e prosseguem também hoje, apesar da captura do barco Karine A", onde havia toneladas de armas. "Os palestinos mantêm suas relações com o Irã por meio da Força 17, a guarda pessoal de Arafat?, afirmou Sharon. Por sua vez, o Irã ameaçaria diretamente o norte de Israel e teria dado aos guerrilheiros do Hezbollah 8 mil foguetes Katiusha para atacar a cidade de Haifa. "Estas armas são controladas pela guarda revolucionária iraniana, junto aos (militantes do) Hezbollah", disse Sharon. Recentemente, revelou, "uma nave iraniana carregada com armas chegou ao porto sírio de Lattakya, depois de ter percorrido as costas ocidentais da África para não ter que atravessar o canal de Suez". Os pedidos israelenses aos EUA para que ponham fim a estas provisões militares "não foram escutados" até o momento, disse o premier. Sobre a iniciativa de paz saudita, Sharon afirmou que "a própria vontade de buscar um acordo de paz é positiva". "É preciso examinar os detalhes. Se se trata de uma retirada israelense das linhas anteriores à guerra de 1967, não podemos aceitar". "Para nós, explicou Sharon, (a eliminação de) essas fronteiras significa(m) a destruição do Estado de Israel". Para Sharon, nem sequer a constituição em um breve lapso de um Estado palestino independente junto a Israel poria fim ao conflito. Para chegar a um acordo, disse ele, seria preciso agir gradualmente, começando com um cessar-fogo e consolidando acordos internos de longo prazo que sirvam para reconstruir a confiança recíproca. Só uma vez alcançado este estágio será possível falar de um acordo definitivo.

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