Sharon afirma não ter intenção de negociar com palestinos

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse hoje não ter intenção de aderir a negociações de paz com a atual liderança palestina, a qual descreveu como um "bando de terroristas". Sharon fez esta declaração num discurso televisionado, no momento em que uma equipe de autoridades palestinas encontrava-se em Washington com funcionários dos Estados Unidos, para a primeira discussão mais séria desde que o presidente norte-americano, George W. Bush, exigiu a mudança do líder palestino, Yasser Arafat, em junho. Na Cisjordânia, tropas israelenses demoliram as casas das famílias de supostos militantes palestinos e invadiram a cidade nortista de Beit Lahia, como parte de uma operação em curso contra milícias. Centenas de crianças e adolescentes palestinos enfrentaram com pedras quatro tanques israelenses que entravam na cidade. Os soldados de Israel responderam disparando metralhadoras dos tanques contra a multidão, matando um adolescente e ferindo outros quatro. O Exército israelense alegou que os soldados abriram fogo por sentirem que corriam risco de vida. Pouco antes, oficiais de segurança israelenses e palestinos não conseguiram chegar a um acordo sobre uma retirada gradual e condicional de tropas de Israel, mas autoridades israelenses afirmaram que novas discussões foram marcadas para a semana que vem. ?Bando? Em seu discurso, Sharon garantiu que Israel quer a paz e o fim dos 22 meses de confrontos e culpou a liderança palestina pelo impasse nas negociações. "Entre nós e o objetivo está o bando terrorista, o terrorismo e a corrupção da Autoridade Palestina", afirmou. "Esse bando não quer a paz com Israel, assim como não está interessado em aliviar os difíceis problemas dos palestinos. A única forma para se chegar à paz é removendo esse bando assassino de sua posição política", acrescentou. Sharon exigiu que a Autoridade Palestina promova uma reforma em seus serviços de segurança e em seu sistema financeiro, que, segundo ele, está ajudando militantes. "Qualquer tentativa de conversar com terroristas irá apenas colocar esperança no coração deles de que serão capazes de nos enganar novamente", disse. "Não cairemos nessa lata de lixo que visa nos enfraquecer e salvá-los. Não haverá compromissos com o terror e não negociaremos com ele", reiterou Sharon. Palestinos consideram que Sharon não tem intenção de discutir a paz e está trabalhando para minar o líder Yasser Arafat e a Autoridade Palestina. Sharon disse que Israel não irá se envolver na política interna palestina, mas "ouvirá todas as vozes, para encontrar todo raio de esperança e encorajar toda pequena centelha buscando mudança". ?Caos? Em Washington, a delegação palestina, encabeçada pelo negociador-chefe Saed Erekat, conversou com a assessora de Segurança Nacional dos EUA, Condoleezza Rice, e com o secretário de Estado Colin Powell. Erekat rejeitou pedidos dos Estados Unidos pela remoção de Arafat e acusou Israel de prejudicar esforços palestinos para promover eleições e reformas. Ele afirmou que qualquer alternativa a Arafat será "o caos". Segundo Erekat, a única solução para o conflito é o fim da ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Também hoje, tropas israelenses destruíram quatro casas na Cisjordânia. Dezoito casas já foram demolidas por Israel desde que o Estado judeu retomou essa controvertida prática no mês passado. Grupos de direitos humanos consideram que as demolições constituem uma punição coletiva contra pessoas inocentes e violam leis internacionais. Israel alega que as demolições são uma dissuasão para futuros atacantes. Israel ocupa hoje sete das oito maiores cidades da Cisjordânia e várias áreas da Faixa de Gaza.

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