Sharon ameaça expulsar trabalhistas do governo

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, ameaçou hoje expulsar o Partido Trabalhista de seu governo, se a agremiação cumprir sua decisão de votar contra o orçamento anual, nesta semana. A retirada dos trabalhistas do governo faria com que Sharon dependesse fortemente de aliados da extrema-direita, que exigem medidas ainda mais duras contra os palestinos, e pode levar a eleições antecipadas.A última crise na coalizão teve início quando o Comitê Central trabalhista decidiu, no domingo, votar contra o orçamento de 2003 na quarta-feira, no Parlamento, a menos que Sharon corte a destinação de US$ 145 milhões para assentamentos judeus na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Será apenas a primeira de três votações, num processo que pode se arrastar por meses.Mas Sharon reagiu hoje, dizendo a legisladores: "A exigência do Partido Trabalhista foi feita por razões políticas... Quem não votar a favor do orçamento não irá, infelizmente, ser capaz de estar na coalizão".Não havia conversações programadas para hoje entre Sharon e líderes trabalhistas.Os trabalhistas uniram-se com relutância ao linha-dura Sharon, depois que ele foi eleito, 20 meses atrás, mas supunha-se que eles abandonariam o governo antes das próximas eleições, marcadas para novembro de 2003, e tentariam se posicionar como uma alternativa.A disputa política ocorre várias semanas antes das primárias do Partido Trabalhista. O atual líder partidário, o ministro da Defesa Binyamin Ben-Eliezer, está atualmente atrás de dois candidatos mais pacifistas. Ben-Eliezer, malvisto por setores do partido por sua associação às políticas de Sharon, tem assumido ultimamente uma posição mais dura contra os colonos judeus.Hoje, Ben-Eliezer insistiu que o orçamento tem de ser modificado. "Pelo que sei, a questão está definida a menos que o Likud, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças concordem em mudar a ordem de prioridades do orçamento", disse ele à Rádio do Exército. Ben-Eliezer também havia ameaçado retirar o Partido Trabalhista da coalizão na semana passada, quando um ministro linha-dura o chamou de tolo, covarde e mentiroso, depois que ele ordenou que Exército desmantelasse o posto avançado de um assentamento na Cisjordânia.Palestinos querem que os cerca de 140 assentamentos judeus sejam removidos e reivindicam toda a Cisjordânia e Faixa de Gaza para um futuro Estado. Militantes palestinos têm freqüentemente atacado colonos judeus, nos dois anos da intifada.Governos de coalizão em Israel são cronicamente instáveis e tomados por lutas internas. Nenhum governo completou inteiramente seu mandato desde a década de 80, e o Estado judeu teve cinco primeiros-ministros nos últimos sete anos.Apesar de acordos de última hora terem muitas vezes mantido governos israelenses, comentaristas na imprensa acreditam que está chegando ao fim a aliança entre os Partidos Likud e Trabalhista.O jornal Haaretz, citando fontes no Likud, escreveu que Sharon irá formar uma coalizão com partidos radicais que defendem com intransigência os assentamentos judeus. O diário Maariv publicou que se Ben-Eliezer renunciar, Sharon planeja substituí-lo pelo ex-comandante do Estado-Maior Shaul Mofaz, que tem a reputação de abraçar posições belicistas.Mas pode ser negativo para Sharon liderar uma coalizão puramente direitista, e muitos acreditam que ele convocará eleições antecipadas para dentro de 90 dias, a fim de neutralizar o ex-premier Benjamin Netanyahu, um crescente desafio interno em seu partido, e não dar tempo aos trabalhistas, que estão em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, para se reagruparem."O Estado de Israel não precisa de eleições neste momento. Mas se formos forçados a realizar eleições devido a comportamento irresponsável ou pressão política interna deste ou daquele partido... estamos prontos", adiantou Sharon.

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